Ataques de pânico, ansiedade
Ataques de pânico, ansiedade | Fotografia: Armstrong Roberts/ClassicStock, Getty
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Há tratamento para os ataques de pânico: a sensação que muitos reconhecem, mas nem sempre compreendem

Todos os anos, a 18 de junho, assinala-se o Dia Internacional do Pânico, um momento para falar de uma condição que "continua envolta em desconhecimento e estigma", explica Ângela Rodrigues, psicóloga da Clínica da Mente, a autora deste artigo educativo.

Há uma experiência que quem sofre de ataques de pânico conhece bem: estar num momento aparentemente banal, a conduzir, a trabalhar, a adormecer, quando o corpo entra subitamente em modo de emergência.

Dr.ª Ângela Rodrigues | Fotografia: D.R.

O coração acelera, a respiração altera-se, o peito aperta, as mãos tremem. E, no centro de tudo isto, uma certeza avassaladora: algo muito grave está a acontecer. A maioria das pessoas que vive um ataque de pânico pela primeira vez acredita estar a ter um ataque cardíaco, a enlouquecer, a perder o controlo ou mesmo a morrer. A experiência é tão intensa que a hipótese de não existir perigo real parece impossível.

O que acontece é que o sistema de alarme do cérebro dispara numa situação em que não existe ameaça objetiva. O corpo entra em modo de alerta, liberta adrenalina, e todos os sintomas físicos que se seguem são a resposta natural a esse estado de emergência. As sensações são completamente reais. O perigo que sinalizam é que não existe.

Após o primeiro ataque, o cérebro tende a associar o contexto em que ocorreu a uma ameaça. Instala-se então o medo antecipatório: o medo de voltar a ter um ataque. Qualquer sensação física semelhante, uma aceleração do coração, um aperto no peito, uma ligeira tontura, passa a ser interpretada como sinal de perigo iminente.

Esta interpretação gera mais ansiedade, que por sua vez intensifica as sensações físicas, que por sua vez confirmam o perigo. É um ciclo que se alimenta a si próprio.

Para gerir este medo, as pessoas desenvolvem, muitas vezes, comportamentos de evitamento. Deixam de conduzir em autoestradas, de utilizar transportes públicos, de frequentar espaços fechados ou movimentados, de fazer exercício físico.

Nalguns casos, deixam de conseguir sair de casa ou estar sozinhas. Cada evitamento traz alívio imediato, mas ensina ao cérebro que aquelas situações eram de facto perigosas, reforçando o falso alarme. É por isso que a perturbação de pânico limita muitas vezes mais pelos evitamentos do que pelos próprios ataques: são eles que, de forma silenciosa, vão estreitando o mundo da pessoa.

A perturbação de pânico tem tratamento eficaz. Em psicoterapia, o trabalho passa por compreender o mecanismo que está na base dos ataques, aprender a interpretar as sensações físicas de forma diferente e, de forma gradual e estruturada, retomar as situações que foram sendo evitadas.

O objetivo não é eliminar a ansiedade, mas deixar de ter medo dela. Com o acompanhamento adequado, a recuperação é possível, e a liberdade que se recupera é real.

O Dia Internacional do Pânico assinala-se a 18 de junho. Uma data que existe precisamente para dar visibilidade a uma condição que, apesar de frequente, continua envolta em desconhecimento e estigma. Muitas das pessoas que sofrem de ataques de pânico demoram anos a perceber o que se passa com elas, e ainda mais tempo a pedir ajuda. Falar sobre isto é o primeiro passo para mudar isso.

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