Celebrar a dança com Meryl Streep e membros dos Abba | Fotografia: LEIF R JANSSON/AFP, Getty
Celebrar a dança com Meryl Streep e membros dos Abba | Fotografia: LEIF R JANSSON/AFP, Getty
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Stress, ansiedade, tristeza? Médica confirma o poder deste "antidepressivo" natural

O Dia Mundial da Dança celebra-se a 29 de abril e a Dra. Ângela Rodrigues, psicóloga da Clínica da Mente, assina este texto educativo que nos lembra o que esta arte pode fazer pelo nosso equilíbrio emocional.

Dr.ª Ângela Rodrigues

Existe uma sabedoria antiga no ato de dançar. Muito antes de ser arte ou entretenimento, o movimento rítmico do corpo foi sempre uma forma de expressão, de celebração, de luto e de cura.

A psicologia contemporânea tem vindo a confirmar o que muitas culturas já sabiam: mover o corpo tem um impacto real e mensurável no estado emocional.

Em psicologia, a relação entre corpo e mente não é metáfora, é fisiologia. As emoções não existem apenas na mente, têm expressão física concreta.

A ansiedade manifesta-se na respiração e na tensão muscular. A tristeza instala-se na postura e no ritmo. O medo contrai. A alegria expande. Esta ligação funciona nos dois sentidos: assim como o estado emocional influência o corpo, o movimento corporal pode influenciar o estado emocional.

A dança, em particular, combina vários elementos com efeito comprovado no bem-estar psicológico: o movimento físico, o ritmo, a atenção ao corpo no momento presente e, muitas vezes, a dimensão social.

A nível neurobiológico, a atividade física rítmica estimula a produção de endorfinas e serotonina e contribui para a redução dos níveis de cortisol, o principal marcador biológico do stress. Mas para além da bioquímica, a dança oferece algo que outras formas de exercício raramente proporcionam: a possibilidade de expressar o que não tem ainda palavras.

Na prática clínica, é comum encontrar pessoas com dificuldade em identificar ou nomear o que sentem. O movimento pode, nesses casos, funcionar como uma via de acesso ao mundo emocional, uma forma de o corpo dizer o que a mente ainda não consegue formular. Não é necessário saber dançar, nem seguir uma coreografia. O que importa é a disponibilidade para se mover de forma genuína, sem julgamento e sem expectativa de resultado.

Neste Dia Mundial da Dança, a mensagem é simples: o movimento é um recurso que todos têm disponível. Para quem vive com ansiedade, cansaço emocional ou dificuldade em desligar, alguns minutos de movimento livre podem fazer uma diferença real. Não como solução para tudo, mas como um gesto concreto de cuidado com o próprio equilíbrio.

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