A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurológica crónica e progressiva. É classicamente considerada uma doença do sistema motor, mas sabe-se que vai muito além disso, podendo afetar o sono, o humor, a cognição, entre outras funções do organismo. O seu nome homenageia o médico inglês James Parkinson, que a descreveu pela primeira vez no século XIX. O Dia Mundial da DP assinala-se a 11 de abril, data do seu nascimento.
A DP está associada à acumulação de uma proteína anormal, a alfa-sinucleína, em neurónios da substância nigra (região do cérebro). A acumulação da proteína leva à degeneração destes neurónios, que são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor fundamental para o organismo. É uma doença mais frequente em pessoas com mais de 60 anos, e é cerca de 1,4 vezes mais comum em homens do que em mulheres. A sua prevalência tem vindo a aumentar a nível mundial, em parte devido ao envelhecimento da população.
Os sintomas mais reconhecidos são os motores: tremor em repouso, lentidão dos movimentos, rigidez muscular e alterações da marcha e do equilíbrio. No entanto, os sintomas não motores são igualmente relevantes e podem surgir anos antes dos motores. Entre estes destacam-se a obstipação, a perda de olfato, sonhos agitados, depressão, ansiedade e, em fases mais avançadas, alterações cognitivas. O diagnóstico é clínico, baseado na observação da pessoa e no exame neurológico. Podem ser realizados exames complementares, como análises ou exames de imagem, sobretudo para excluir outras doenças com manifestações semelhantes. Embora ainda não exista um teste diagnóstico definitivo, a investigação em biomarcadores (nomeadamente na deteção da proteína alfa-sinucleína) tem mostrado resultados promissores para um diagnóstico mais precoce no futuro.
Relativamente ao tratamento, existem várias opções eficazes no controlo dos sintomas. A levodopa (em associação à carbidopa ou benserazida) continua a ser o fármaco mais eficaz e um dos pilares do tratamento. Após a sua administração, é convertida em dopamina, compensando a sua falta no cérebro e melhorando significativamente os sintomas. Pode ser utilizada em associação com outros medicamentos que potenciam o seu efeito ou prolongam a sua ação. Em fases avançadas podem ser consideradas outras abordagens, como sistemas de perfusão contínua de medicação (subcutânea ou intestinal) ou a cirurgia de estimulação cerebral profunda. Adicionalmente, o exercício físico regular, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e apoio psicológico desempenham um papel fundamental, sobretudo na gestão dos sintomas não motores e manutenção da autonomia.
Apesar dos avanços, ainda não existe uma terapêutica capaz de alterar de forma comprovada a progressão da doença. O desenvolvimento de tratamentos modificadores da doença é, atualmente, uma das principais prioridades da investigação científica em doença de Parkinson.
