Médico explica tudo sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica
Médico explica tudo sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica | Fotografia: Unsplash
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Progressiva, rara e ainda sem cura, mas há sempre algo a fazer: o essencial sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica

Na semana em que se assinala o Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica, Márcio Cardoso, neurologista da Sociedade Portuguesa de Neurologia, assina este artigo educativo sobre esta doença que "continua a ser pouco conhecida".

Dr.º Márcio Cardoso

A 21 de junho assinala-se o Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença que continua a ser pouco conhecida, apesar de mudar profundamente a vida de quem a recebe — e de quem cuida, todos os dias, com um amor que não se vê nas estatísticas.

A ELA é uma doença neurológica que provoca a perda progressiva dos neurónios responsáveis por comandar os músculos. Com o tempo, os braços, as pernas, a fala, a deglutição e, mais tarde, a respiração, vão perdendo força. O que torna esta doença particularmente difícil é que, na grande maioria dos casos, a mente permanece lúcida: a pessoa continua a pensar, a sentir e a reconhecer quem ama, enquanto o corpo se vai tornando, dia após dia, uma prisão cada vez mais apertada.

Os primeiros sinais costumam ser subtis: uma mão que perde destreza ao segurar uma chávena, uma perna que arrasta ligeiramente, uma voz que começa a engasgar nas palavras mais simples, pequenos abalos musculares que parecem inofensivos. Por serem sintomas comuns a outras situações, o caminho até ao diagnóstico é, muitas vezes, longo e angustiante, feito de consultas e de uma incerteza difícil de explicar a quem não a viveu.

Não existe um único exame que confirme a ELA: o diagnóstico resulta da avaliação clínica cuidadosa de um neurologista, complementada por um exame chamado eletromiografia, que estuda a atividade elétrica dos músculos e dos nervos, e pela exclusão de outras doenças que possam explicar os mesmos sintomas.

Hoje ainda não existe cura para a ELA, mas isso não significa que nada possa ser feito. Há medicamentos que ajudam a retardar a progressão da doença, e nos últimos anos surgiu uma novidade que devolve esperança: para um pequeno grupo de doentes, cuja ELA está ligada a uma alteração genética específica, já existe um tratamento dirigido que consegue travar parte do dano neurológico.

Mas o verdadeiro pilar do tratamento, hoje, é o acompanhamento por uma equipa multidisciplinar — neurologia, fisioterapia, terapia da fala, nutrição e apoio respiratório — que cuida da pessoa como um todo, preservando o máximo de autonomia, conforto e dignidade possível em cada fase da doença. Em Portugal, a APELA (Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica) tem um papel fundamental neste acompanhamento, apoiando doentes e famílias em cada etapa do caminho.

Por trás de cada diagnóstico de ELA há uma família que se reorganiza, aprende a comunicar de outras formas e a cuidar com uma dedicação imensa, muitas vezes em silêncio.

Assinalar este dia é, sobretudo, lembrar que estas pessoas continuam a ser elas próprias até ao fim. E é também olhar para a frente: a cada ano, a investigação avança um pouco mais, abrindo portas a novos tratamentos e à promessa de que, um dia, esta doença terá uma resposta diferente.

Até lá, fica o compromisso de não deixar ninguém andar este caminho sozinho.

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