Os puzzles são muitas vezes associados ao entretenimento, mas a neuropsicologia mostra que o seu impacto é muito significativo, uma vez que resolver um puzzle envolve muitas funções cognitivas e ativa várias áreas do cérebro. Consideramos, por isso, uma ferramenta muito importante para o desenvolvimento e para a manutenção das capacidades mentais, ao longo da vida.
Benefícios? Podem variar consoante a fase do desenvolvimento, ou seja, se estamos a falar de construir um puzzle durante a nossa infância, na idade adulta ou no envelhecimento.
Para uma criança, os benefícios são a estimulação e o desenvolvimento do cérebro. É na infância, que o cérebro se encontra em desenvolvimento. Nesta fase, os puzzles desempenham um papel fundamental na estimulação cognitiva e as atividades como puzzles de encaixe, por exemplo, labirintos ou jogos de lógica contribuem para o desenvolvimento da atenção, da memória, do raciocínio lógico e das capacidades visuoespaciais e das funções executivas (planeamento, a organização e o controlo dos impulsos.
Ao resolver um problema, todas as crianças aprendem a criar estratégias, a lidar com os erros e a lidar com a frustração. Há inúmeros benefícios desta aprendizagem não só para o bom desempenho escolar, mas também para o desenvolvimento emocional e social. Promove-se a sensação de competência e por isso desenvolve-se uma autoestima mais sólida.
Já para um adulto, a construção de um puzzle pode ser importante para gerir o stress. Na idade adulta é fundamental trabalharmos a manutenção das funções cognitivas desenvolvidas. A vida profissional e pessoal exige tomadas de decisão constantes, resolução de problemas e capacidade de concentração. Alguns exemplos que se aplicam ao treino cognitivo de um adulto podem ser um sudoku, umas palavras cruzadas, alguns puzzles visuais que estimulam a memória de trabalho por exemplo e a flexibilidade cognitiva.
Para além disso, um neuropsicólogo pode utilizar puzzles como parte da intervenção em reabilitação cognitiva, com doentes que sofreram recentemente um Acidente Vascular Cerebral (AVC), um traumatismo craniano ou com pessoas que possam estar a sofrer com o diagnóstico de depressão e/ou ansiedade e que vêm a cognição a ser afetada.
Outro aspeto relevante é o impacto emocional: ao promoverem foco e envolvimento, os puzzles podem reduzir os níveis de stress e ansiedade, funcionando como uma pausa mental benéfica num quotidiano marcado pela sobrecarga de estímulos.
Quando se fala de envelhecer, fala-se de envelhecer com qualidade de vida e isso também significa preservar a nossa capacidade cognitiva e atrasar o declínio cognitivo. Aqui o foco está em preservar as capacidades cognitivas e promover essencialmente a autonomia (ao nível do funcionamento). Embora saibamos que o envelhecimento traz mudanças naturais no funcionamento do cérebro, sabe-se hoje que a estimulação cognitiva ajuda muito no atraso do declínio cognitivo.
Os puzzles aparecem aqui como um excelente contributo para a manutenção da memória, da atenção, da velocidade de processamento e do raciocínio, no geral. São por isso, uma ferramenta integrada em vários programas de estimulação e são usados em casos de défice cognitivo ligeiro. Embora não tenham a função de "tratar" uma doença neurodegenerativa, podem ajudar a manter as funções que já existem, por um período mais alargado e a melhoram a qualidade de vida do indivíduo.
Para além do aspeto cognitivo, há também um benefício emocional e social, porque a pessoa que pratica a construção do puzzle sente-se mais ativa, o que tem um impacto direto na autoestima e no seu bem-estar geral. Por isso, é uma prática simples, mas com um enorme impacto e no que diz respeito ao trabalho realizado pela área da Neuropsicologia, os puzzles são uma ferramenta acessível e bastante eficaz para promover a saúde cerebral e mental, em todas as idades. Quando um puzzle está adaptado ao nível de desenvolvimento e às capacidades individuais de cada um, permite estimular o cérebro de forma natural e lúdica, o que tem um significado muito especial.
Então isto quer dizer que, brincar, afinal, também é uma forma séria de cuidar do nosso cérebro e que devemos aproveitar todos os momentos livres para isso!
