Diogo Morgado em "Evita" | Fotografia: D.R.
Diogo Morgado em "Evita" | Fotografia: D.R.
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Diogo Morgado: "O lado gozão, o apontar do dedo, mas acima de tudo o assumir que a falha e o erro é o que de mais humano existe"

Em Lisboa, no Capitólio, as próximas semanas significam uma viagem à Argentina para conhecer a história de Eva Péron em "Evita". Falámos com Diogo Morgado que interpreta Che neste icónico espetáculo apresentado em formato de ópera rock.

Durante as próximas semanas, até 28 de junho, o público português tem a oportunidade de assistir a um dos musicais mais icónicos da história do género, no Capitólio, em Lisboa, e em português. Evita conta, no formato de uma ópera rock, a história da ascensão e queda de Eva Perón, a controversa e muito carismática primeira-dama da Argentina.

No papel principal, o de Eva Péron, está uma das figuras incontornáveis do teatro musical nacional e internacional: Sofia Escobar. Já Diogo Morgado representa Che, um revolucionário que faz o papel de narrador, assim como de uma espécie de consciência crítica que observa e questiona as ações de Eva.

Conhecido principalmente pelas suas atuações no grande e no pequeno ecrã, a VERSA esteve à conversa com o ator sobre o desafio de subir ao palco ao longo de quase dois meses para este musical, assim como sobre a relevância de um espetáculo criado nos anos 70 nos dias de hoje.

Diogo Morgado como Che em "Evita" | Fotografia: D.R.

Estás muito associado ao cinema e à televisão. Para ti, o que muda quando se passa para um musical em palco?

Muda tudo. Isso é o mais desafiante e, ao mesmo tempo, o mais apaixonante. No cinema e na televisão tens a câmara como intermediário, há cortes, há repetição, há um controlo muito grande sobre o momento. Em palco não. É tudo ao vivo, acontece ali, uma vez só, e tens de estar completamente presente do início ao fim.

No musical, ainda por cima, há uma exigência física e emocional muito grande porque tens de conciliar interpretação, canto e movimento. É quase como correr uma maratona emocional todas as noites.

Qual o maior desafio deste projeto?

Diria que é manter a consistência e a energia ao longo de todas as apresentações. Num musical não há rede. Tens de entregar tudo, todos os dias, com a mesma intensidade e verdade.

E depois há também o desafio de honrar um projeto que já tem história, que já vive no imaginário das pessoas, mas ao mesmo tempo trazer-lhe algo novo, fresco, pessoal.

O que mais te agrada na tua personagem? O que fazes em palco para distinguir a tua versão das que já existiram ao longo dos anos?

O que mais me atrai na personagem é a sua humanidade — as contradições, as fragilidades, aquilo que a torna próxima de nós. É isso que procuro explorar.

Mais do que tentar ser diferente por estratégia, tento ser o contraponto daquilo que a história pode precisar. O lado gozão, o apontar do dedo, mas acima de tudo o assumir que a falha e o erro é o que de mais humano existe.

Trabalho muito a energia disruptiva. Acho que a diferença nasce daí, de uma abordagem honesta e pessoal, e não de uma tentativa de fazer diferente só porque sim. 

Para ti, o que faz com que este musical, criado nos anos 70, continue a ser tão atual e adorado?

Porque fala de coisas que não envelhecem, identidade, amor, conflito social, pertença, liberdade, a percepção política, os mitos, os erros, as nossas fraquezas e ambições. As emoções humanas são as mesmas, independentemente da época.

E depois há algo muito poderoso na música: ela atravessa gerações. Quando tens uma boa história aliada a uma banda sonora forte, crias algo que fica.

Este musical continua atual porque, no fundo, continua a falar de nós.

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