Durante as próximas semanas, até 28 de junho, o público português tem a oportunidade de assistir a um dos musicais mais icónicos da história do género, no Capitólio, em Lisboa, e em português. Evita conta, no formato de uma ópera rock, a história da ascensão e queda de Eva Perón, a controversa e muito carismática primeira-dama da Argentina.
No papel principal, o de Eva Péron, está uma das figuras incontornáveis do teatro musical nacional e internacional: Sofia Escobar. Já Diogo Morgado representa Che, um revolucionário que faz o papel de narrador, assim como de uma espécie de consciência crítica que observa e questiona as ações de Eva.
Conhecido principalmente pelas suas atuações no grande e no pequeno ecrã, a VERSA esteve à conversa com o ator sobre o desafio de subir ao palco ao longo de quase dois meses para este musical, assim como sobre a relevância de um espetáculo criado nos anos 70 nos dias de hoje.
Estás muito associado ao cinema e à televisão. Para ti, o que muda quando se passa para um musical em palco?
Muda tudo. Isso é o mais desafiante e, ao mesmo tempo, o mais apaixonante. No cinema e na televisão tens a câmara como intermediário, há cortes, há repetição, há um controlo muito grande sobre o momento. Em palco não. É tudo ao vivo, acontece ali, uma vez só, e tens de estar completamente presente do início ao fim.
No musical, ainda por cima, há uma exigência física e emocional muito grande porque tens de conciliar interpretação, canto e movimento. É quase como correr uma maratona emocional todas as noites.
Qual o maior desafio deste projeto?
Diria que é manter a consistência e a energia ao longo de todas as apresentações. Num musical não há rede. Tens de entregar tudo, todos os dias, com a mesma intensidade e verdade.
E depois há também o desafio de honrar um projeto que já tem história, que já vive no imaginário das pessoas, mas ao mesmo tempo trazer-lhe algo novo, fresco, pessoal.
O que mais te agrada na tua personagem? O que fazes em palco para distinguir a tua versão das que já existiram ao longo dos anos?
O que mais me atrai na personagem é a sua humanidade — as contradições, as fragilidades, aquilo que a torna próxima de nós. É isso que procuro explorar.
Mais do que tentar ser diferente por estratégia, tento ser o contraponto daquilo que a história pode precisar. O lado gozão, o apontar do dedo, mas acima de tudo o assumir que a falha e o erro é o que de mais humano existe.
Trabalho muito a energia disruptiva. Acho que a diferença nasce daí, de uma abordagem honesta e pessoal, e não de uma tentativa de fazer diferente só porque sim.
Para ti, o que faz com que este musical, criado nos anos 70, continue a ser tão atual e adorado?
Porque fala de coisas que não envelhecem, identidade, amor, conflito social, pertença, liberdade, a percepção política, os mitos, os erros, as nossas fraquezas e ambições. As emoções humanas são as mesmas, independentemente da época.
E depois há algo muito poderoso na música: ela atravessa gerações. Quando tens uma boa história aliada a uma banda sonora forte, crias algo que fica.
Este musical continua atual porque, no fundo, continua a falar de nós.
