Reumatologia | Fotografia: Unsplash
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Doenças reumáticas nos jovens: o que afeta e como tratar?

Sim, as doenças reumáticas também podem afetar crianças e jovens. Tudo sobre a doença num artigo educativo pela Dra. Catarina Silva, interna de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho (ULSGE) e supervisionado pela Dra. Patrícia Pinto, assistente Hospitalar Graduada de Reumatologia.

Dra. Catarina Silva, interna de Reumatologia da Unidade Local de Saúde de Gaia/Espinho (ULSGE) | Fotografia: D.R.
Dra. Patrícia Pinto, assistente Hospitalar Graduada de Reumatologia | Fotografia: D.R.

As doenças reumáticas juvenis constituem um grupo de doenças inflamatórias que se iniciam na infância ou adolescência e podem afetar não só as articulações e outras estruturas musculoesquléticas, mas também outros órgãos e sistemas, como os olhos, pele, rins, pulmões ou coração. Quando não diagnosticadas e tratadas precocemente, podem interferir com o crescimento e provocar danos irreversíveis.

A doença reumática crónica mais comum nesta faixa etária é a artrite idiopática juvenil, um grupo heterogéneo de artrites inflamatórias definido pelo início antes dos 16 anos. Pode surgir em qualquer idade, mas uma proporção significativa dos casos inicia-se nos primeiros anos de vida, particularmente antes dos 5 anos, sendo mais frequente no sexo feminino. Caracteriza-se por inflamação articular persistente durante mais de seis semanas, manifestando-se por dor e inchaço das articulações, rigidez matinal e limitação dos movimentos.

A forma mais comum é a artrite idiopática juvenil oligoarticular, responsável por cerca de metade dos casos. Afeta até quatro articulações nos primeiros seis meses de doença, envolvendo frequentemente joelhos, tornozelos ou punhos, podendo também associar-se a inflamação da uvea (uveíte), que muitas vezes não provoca sintomas numa fase inicial. Existem outras formas de doença, como a forma sistémica, que pode cursar com febre e manchas na pele e as formas poliarticulares.

Outra doença relevante é o lupus eritematoso sistémico juvenil, que corresponde a cerca de 15-20% de todos os casos de lúpus. A maioria surge na adolescência, sendo raro antes dos 5 anos, e é mais frequente no sexo feminino. Nesta faixa etária, tende a ser mais grave e com maior risco de envolvimento renal. Para além do envolvimento articular, pode manifestar-se com manchas avermelhadas na pele do rosto, caracteristicamente em forma de “borboleta”, sensibilidade ao sol, queda de cabelo ou úlceras orais, podendo também envolver outros órgãos, como os rins, pulmões, coração ou sistema nervoso.

A dermatomiosite juvenil é uma doença menos frequente e caracteriza-se por inflamação muscular e alterações cutâneas. Surge habitualmente entre os 6 e os 9 anos e é mais frequente no sexo feminino. Pode manifestar-se por fraqueza muscular, sobretudo nos músculos do tronco, anca, ombros e pescoço, dificuldade em levantar-se ou subir escadas, bem como manchas arroxeadas nas pálpebras ou lesões avermelhadas nas articulações dos dedos.

A febre reumática é uma doença reumática pós-infeciosa, atualmente pouco frequente, que surge frequentemente como complicação de uma faringite estreptocócica não tratada, podendo provocar dor articular migratória e envolvimento do coração.

Importa lembrar que nem todas as dores articulares correspondem a doenças reumáticas. As chamadas dores de crescimento são frequentes entre os 4 e os 12 anos e surgem geralmente ao final do dia ou durante a noite, sobretudo nas pernas, desaparecendo até de manhã e sem limitar as atividades habituais. Também podem existir causas ortopédicas, traumáticas, infeciosas, hematológicas, genéticas ou, mais raramente, neoplásicas.

Assim, a dor músculo-esquelética nas crianças e jovens pode ter múltiplas causas, variando de quadros benignos a doenças potencialmente graves. A presença de inchaço articular, rigidez matinal, febre persistente, limitação funcional ou agravamento progressivo dos sintomas deve motivar avaliação médica, permitindo identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

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