É possível quantificar a dor?
O primeiro passo para o tratamento da dor é fazer uma avaliação minuciosa. A dor não é simples de se avaliar, pois é sempre subjetiva: não conseguimos visualizar a dor através de um exame de imagem, por exemplo. Assim, toda a avaliação do paciente com dor é feita a partir de sua própria experiência. Para se medir a intensidade da dor que o paciente sente, há escalas específicas.
Quais são as principais causas da dor crónica?
A dor crónica é mais frequente à medida que a idade avança, dado que as causas mais frequentes de dor crónica, designadamente as doenças do aparelho musculoesquelético, também aumentam à medida que a idade avança. De facto, a principal causa de dor crónica são as lombalgias (dores de costas), devidas a alterações dos ossos, articulações e músculos da coluna vertebral, e as doenças de outras articulações, como a artrose da coxa ou do joelho.
Pensa-se que o estilo de vida sedentário, a obesidade e a falta de atividade física regular contribuem significativamente para o aparecimento deste tipo de dores. Saliente-se ainda que, face ao envelhecimento da população com o aumento da esperança média de vida, é de esperar que o número de pessoas com dor crónica venha a aumentar no futuro.
A osteoporose, as cefaleias (dores de cabeça), as dores provocadas por traumatismos ou intervenções cirúrgicas e as doenças do sistema nervoso são outras das causas de dor crónica, bem como o cancro, sobretudo nas fases mais avançadas da doença.
Qual a incidência da dor crónica e quais as patologias que lhe estão associadas?
Cerca 30% da população adulta portuguesa sofre de dor crónica, a qual tem uma intensidade moderada ou forte em quase metade dos casos. Verificou-se também que, tal como em estudos semelhantes realizados noutros países, a dor crónica afeta consideravelmente mais as mulheres que os homens.
De que forma a dor crónica condiciona o dia a dia destes doentes?
Para além do sofrimento que causa, a dor crónica afeta de forma muito negativa a qualidade de vida das pessoas. Quase 50% das pessoas com dor crónica são afetadas de forma moderada ou grave nas atividades domésticas e laborais. Estudos indicam que 4% dos indivíduos perderam o emprego e 13% tiveram mesmo a reforma antecipada por causa da dor.
Refira-se ainda que foi diagnosticada depressão a 17% dos indivíduos com dor crónica, e mais de 20% disseram que não tinham prazer na vida a maior parte do tempo ou sempre.
Qual o tratamento?
Existem vários tipos de tratamento. Em primeiro, inicia-se um tratamento com fármacos, como analgésicos ou anti-inflamatórios durante cerca de 15 dias que pode ser acompanhado de fisioterapia. Caso as queixas não regridam, pode-se optar por outras técnicas terapêuticas consoante a causa da dor.
Assim para as hérnias discais e caso tenham indicação pode-se optar por ozonoterapia intradiscal, radiofrequência intradiscal ou mesmo uma terapêutica regressiva para as hérnias discais como a nucleólise por plasma óptico.
Caso sejam artroses da coluna, vulgarmente conhecidos como bicos de papagaio pode-se optar pela radiofrequência ou epidurais transforaminais.
É importante realçar que atualmente as guidelines europeias recomendam primeiro o uso da radiofrequência e das epidurais transforaminais para o tratamento da dor lombar antes de se proceder à cirurgia.
Em que consiste a ozonoterapia?
A ozonoterapia é uma técnica percutânea, em que o gás ozono é injetado, através de uma agulha de pequeno calibre, infiltrando-se tanto a nível do núcleo do disco como a nível dos músculos paravertebrais o favorece a sua rehidratação e a redução do conflito disco-radicular, eliminando a sensação de dor.
O ozono é um gás seguro, não é tóxico e pode administrar-se com segurança, favorecendo o tratamento da dor e a diminuição da inflamação.
O que é a neuroestimulação?
Trata-se de um pequeno aparelho, colocado perto da espinal medula e que, através de fios elétricos, envia sinais que permitem inibir a transmissão da dor para o cérebro. O paciente tem um comando e consegue regular a intensidade dos estímulos. Este aparelho é colocado através de uma intervenção cirúrgica.
Em que consiste a radiofrequência? Como é aplicada?
Após anestesia local o médico insere uma agulha com uma ponta especial que emite radiofrequência e faz com que os nervos deixem de enviar estímulos dolorosos para o cérebro.
Quais as principais recomendações a quem sofre de dor crónica?
A primeira recomendação e que haja um tratamento o mais precoce possível uma vez que quanto mais cedo for tratada maior a probabilidade de sucesso.
