Drenagem linfática | Fotografia: Unsplash
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Drenagem linfática: é tão eficaz quanto dizem? A opinião de um médico

O que é uma drenagem linfática e para que serve? Será que faz sentido o investimento? As respostas por um cirurgião vascular.

Pode parecer uma técnica recente, mas as drenagens linfáticas têm já algumas centenas de anos na história da cosmética. No entanto, apesar de amplamente reconhecidas, ainda continuam a suscitar algumas dúvidas.

Afinal, vale ou não a pena submetermo-nos a drenagens linfáticas? Será que resultam ou é apenas efeito placebo que está a levar-nos a deitar o nosso dinheiro à rua? Fizemos algumas questões ao cirurgião vascular Sérgio Silva, que explica à VERSA em que casos faz sentido recorrer a drenagens linfáticas e que resultados esperar.

E não, não é só uma questão de estética. Quando falamos de drenagens linfáticas falamos também de saúde. Ora vejamos.

Dr. Sérgio Silva, Cirurgião Vascular | Fotografia: D.R.

Qual a origem da drenagem linfática?

A drenagem linfática manual representa um dos pilares fundamentais na abordagem das disfunções do sistema linfático, figurando tanto em contextos estéticos como terapêuticos.

Clinicamente, esta técnica evoluiu a partir dos trabalhos do biólogo dinamarquês Emil Vodder na década de 1930, cujas observações levaram ao desenvolvimento de manobras específicas para estimular o fluxo da linfa e reduzir edema e processos inflamatórios.

O que é a drenagem linfática e qual a sua função no organismo?

A drenagem linfática deve ser realizada na presença de edema, linfedema primário ou secundário, após algumas cirurgias, e em alguns estádios da insuficiência venosa. A periodicidade das sessões depende do objetivo clínico e do estadio da patologia, variando de tratamentos diários em contextos agudos mais graves a aplicações semanais em situações de manutenção terapêutica.

Fazer uma drenagem linfática antes de um evento tem realmente impacto ou as diferenças não são notórias?

O sistema linfático é responsável pela reabsorção de líquidos do espaço intersticial, eliminação de resíduos metabólicos e de defesa imunológica. A drenagem linfática manual, através de pressões suaves e rítmicas, visa aumentar o volume e a velocidade do fluxo linfático, promovendo efeitos como redução do edema, otimização da cicatrização tecidual, reabsorção de hematomas e melhoria da oxigenação celular. As manobras devem respeitar a anatomia e fisiologia do sistema linfático, sendo executadas, preferencialmente, por fisioterapeutas habilitados.

Em que casos é importante recorrer à drenagem linfática?

A drenagem linfática é indicada em várias situações médicas e estéticas, sempre com o objetivo de estimular o sistema linfático a funcionar melhor — promovendo a eliminação de toxinas, líquidos acumulados e melhorando a circulação.

Os principais casos em que é importante recorrer à drenagem linfática são:

1. Linfedema

2. Pós-operatórios

3. Insuficiência venosa / Varizes

4. Gravidez

5. Síndrome pré-menstrual (TPM)

6. Retenção de líquidos

7. Celulite

8. Pele cansada ou sem viço

Existem contraindicações para a drenagem linfática? Quem deve evitar esse procedimento?

Apesar dos extensos benefícios, a técnica possui contraindicações bem definidas. Além de doenças agudas infeciosas, tromboflebites e trombose venosa profunda e insuficiência cardíaca, destaca-se a limitação em casos de neoplasia ativa, hipertireoidismo não controlado, hipotensão arterial e asma brônquica grave. É imperativo respeitar as contraindicações para garantir segurança do doente e evitar complicações que podem ir de hematomas, necrose tecidual a danos ao sistema linfático.

Qual a diferença entre drenagem linfática feita por um fisioterapeuta e massagens estéticas convencionais?

Ao contrário da massagem clássica, que utiliza pressões mais intensas e estimula a hiperemia superficial, a drenagem linfática utiliza pressões minimamente invasivas, com objetivo exclusivo de favorecer o fluxo da linfa. Técnicas que provocam dor ou eritema não devem ser consideradas drenagem linfática, podendo comprometer a integridade dos tecidos e agravar quadros pré-existentes.

Com que frequência a drenagem linfática deve ser realizada para ter efeitos terapêuticos?

A frequência ideal da drenagem linfática depende do objetivo do tratamento e das condições de saúde da pessoa. Para fins terapêuticos (problemas linfáticos ou médicos) como linfedema, pós-operatório, retenção severa de líquidos, insuficiência venosa:

– Frequência: 2 a 3 vezes por semana, inicialmente.

– Duração: pode variar de algumas semanas a meses, dependendo da resposta do corpo.

– Manutenção: 1 vez por semana ou quinzenalmente após melhora dos sintomas.

A drenagem linfática pode ser associada a outros tratamentos médicos? Se sim, quais?

A drenagem linfática é frequentemente utilizada como adjuvante de tratamentos médicos em linfedema (inchaço crónico por acumulação de linfa), algumas cirurgias vasculares e reconstrutivas, reabilitação pós-operatória e associação com meias/ ligaduras compressivas e cuidados higiênicos. A integração multidisciplinar na abordagem do doente é enfatizada para potencialização dos resultados clínicos.

A drenagem linfática manual, ao ser conduzida por profissionais habilitados e com conhecimento das bases fisiológicas do sistema linfático, oferece benefícios substanciais na clínica médica e estética, desde que respeitadas as indicações, as contraindicações e os protocolos científicos.

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