Pode parecer uma técnica recente, mas as drenagens linfáticas têm já algumas centenas de anos na história da cosmética. No entanto, apesar de amplamente reconhecidas, ainda continuam a suscitar algumas dúvidas.
Afinal, vale ou não a pena submetermo-nos a drenagens linfáticas? Será que resultam ou é apenas efeito placebo que está a levar-nos a deitar o nosso dinheiro à rua? Fizemos algumas questões ao cirurgião vascular Sérgio Silva, que explica à VERSA em que casos faz sentido recorrer a drenagens linfáticas e que resultados esperar.
E não, não é só uma questão de estética. Quando falamos de drenagens linfáticas falamos também de saúde. Ora vejamos.
Qual a origem da drenagem linfática?
A drenagem linfática manual representa um dos pilares fundamentais na abordagem das disfunções do sistema linfático, figurando tanto em contextos estéticos como terapêuticos.
Clinicamente, esta técnica evoluiu a partir dos trabalhos do biólogo dinamarquês Emil Vodder na década de 1930, cujas observações levaram ao desenvolvimento de manobras específicas para estimular o fluxo da linfa e reduzir edema e processos inflamatórios.
O que é a drenagem linfática e qual a sua função no organismo?
A drenagem linfática deve ser realizada na presença de edema, linfedema primário ou secundário, após algumas cirurgias, e em alguns estádios da insuficiência venosa. A periodicidade das sessões depende do objetivo clínico e do estadio da patologia, variando de tratamentos diários em contextos agudos mais graves a aplicações semanais em situações de manutenção terapêutica.
Fazer uma drenagem linfática antes de um evento tem realmente impacto ou as diferenças não são notórias?
O sistema linfático é responsável pela reabsorção de líquidos do espaço intersticial, eliminação de resíduos metabólicos e de defesa imunológica. A drenagem linfática manual, através de pressões suaves e rítmicas, visa aumentar o volume e a velocidade do fluxo linfático, promovendo efeitos como redução do edema, otimização da cicatrização tecidual, reabsorção de hematomas e melhoria da oxigenação celular. As manobras devem respeitar a anatomia e fisiologia do sistema linfático, sendo executadas, preferencialmente, por fisioterapeutas habilitados.
Em que casos é importante recorrer à drenagem linfática?
A drenagem linfática é indicada em várias situações médicas e estéticas, sempre com o objetivo de estimular o sistema linfático a funcionar melhor — promovendo a eliminação de toxinas, líquidos acumulados e melhorando a circulação.
Os principais casos em que é importante recorrer à drenagem linfática são:
1. Linfedema
2. Pós-operatórios
3. Insuficiência venosa / Varizes
4. Gravidez
5. Síndrome pré-menstrual (TPM)
6. Retenção de líquidos
7. Celulite
8. Pele cansada ou sem viço
Existem contraindicações para a drenagem linfática? Quem deve evitar esse procedimento?
Apesar dos extensos benefícios, a técnica possui contraindicações bem definidas. Além de doenças agudas infeciosas, tromboflebites e trombose venosa profunda e insuficiência cardíaca, destaca-se a limitação em casos de neoplasia ativa, hipertireoidismo não controlado, hipotensão arterial e asma brônquica grave. É imperativo respeitar as contraindicações para garantir segurança do doente e evitar complicações que podem ir de hematomas, necrose tecidual a danos ao sistema linfático.
Qual a diferença entre drenagem linfática feita por um fisioterapeuta e massagens estéticas convencionais?
Ao contrário da massagem clássica, que utiliza pressões mais intensas e estimula a hiperemia superficial, a drenagem linfática utiliza pressões minimamente invasivas, com objetivo exclusivo de favorecer o fluxo da linfa. Técnicas que provocam dor ou eritema não devem ser consideradas drenagem linfática, podendo comprometer a integridade dos tecidos e agravar quadros pré-existentes.
Com que frequência a drenagem linfática deve ser realizada para ter efeitos terapêuticos?
A frequência ideal da drenagem linfática depende do objetivo do tratamento e das condições de saúde da pessoa. Para fins terapêuticos (problemas linfáticos ou médicos) como linfedema, pós-operatório, retenção severa de líquidos, insuficiência venosa:
– Frequência: 2 a 3 vezes por semana, inicialmente.
– Duração: pode variar de algumas semanas a meses, dependendo da resposta do corpo.
– Manutenção: 1 vez por semana ou quinzenalmente após melhora dos sintomas.
A drenagem linfática pode ser associada a outros tratamentos médicos? Se sim, quais?
A drenagem linfática é frequentemente utilizada como adjuvante de tratamentos médicos em linfedema (inchaço crónico por acumulação de linfa), algumas cirurgias vasculares e reconstrutivas, reabilitação pós-operatória e associação com meias/ ligaduras compressivas e cuidados higiênicos. A integração multidisciplinar na abordagem do doente é enfatizada para potencialização dos resultados clínicos.
A drenagem linfática manual, ao ser conduzida por profissionais habilitados e com conhecimento das bases fisiológicas do sistema linfático, oferece benefícios substanciais na clínica médica e estética, desde que respeitadas as indicações, as contraindicações e os protocolos científicos.
