Desde 1950 que não se previa um verão assim: especialista alerta para cenário extremo em Portugal
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Margarida Ribeiro
- 16 jun, 12:05
Fala-se muito sobre o El Niño. Mesmo assim as dúvidas continuam a existir. Felizmente, Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, explicou o mais importante.
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Faltam poucos dias para o início do verão e, nos próximos meses, estão previstos dias de temperaturas altas, e por vezes extremas. Em certas regiões, espera-se que o El Niño, o fenómeno climático que acontece, normalmente, a cada dois a sete anos, aumente o risco de ondas de calor, secas, cheias e outros fenómenos extremos. Mas qual será o efeito em Portugal?
Duarte Costa, co-presidente do Volt Portugal, mestre em Alterações Climáticas e Políticas pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, e formado em Geografia pela Universidade de Lisboa, esclareceu as dúvidas através de um vídeo que publicou no Instagram.
Começa por afirmar que sim, "estamos a viver um El Niño", algo que também foi confirmado pela NOAA, agência climática norte-americana. Explica ainda que existe a probabilidade deste ser "um dos maiores de sempre", ultrapassando "os 67% de probabilidade de ser um Super El Niño".
Como pode afetar o nosso país?
É "um fenómeno do Oceano Pacífico" que afeta "indiretamente Portugal". No entanto, "sabemos que uma atmosfera mais quente, oceanos mais quentes, mais energia e mais vapor de água na atmosfera significa um risco agravado para todo o planeta de fenómenos extremos mais intensos".
Segundo o especialista, um El Niño significa "uma libertação de grandes quantidades de calor armazenado no Pacífico e que agora vai-se somar ao calor que já se vem intensificando associado ao aquecimento global".
Isto traduz-se em ondas de calor "mais intensas, mais quentes e mais duradouras" no verão, o que acaba por ter um efeito em várias áreas. Em Portugal, por exemplo, o risco de incêndio aumenta significativamente quando as temperaturas sobem.
Existem também riscos para a saúde e para a agricultura devido à "evaporação de água dos solos", algo que "nos torna mais vulneráveis à seca", acrescenta.
Já para a próxima estação chuvosa, existem dois cenários possíveis: muitas tempestades, "chuvas, cheias, solos saturados e dificuldade em processar toda esta água"; ou um inverno como o de 2022 e 2023, em que "tivemos seca, em que não houve chuva no sul da Europa", uma situação de "alto risco" e que afetou os portugueses.
Assiste à explicação abaixo.
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