Golfiller | Fotografia: Instagram @golfiller.fr
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Design e Artes

Em quatro meses ganharam 20 mil euros. Como? A... apanhar bolas

Quem diria que no fundo dos lagos dos campos de golfe estaria um negócio altamente rentável. Quem ganha com ele? Três jovens franceses.

trabalhos improváveis que, à primeira vista, não parecem uma boa fonte de rendimento. No entanto, a economia contemporânea tem vindo a mostrar que ideias fora do comum ─ muitas vezes nascidas da observação de problemas ignorados ─ podem transformar-se em negócios altamente rentáveis e é por isso que temos de falar de três jovens franceses.  

Jules Paris, Elli Perrin e Baptiste Thel são os rostos da Golfiller, uma empresa que nasceu de uma pergunta simples: onde vão parar as bolas de golfe perdidas nos lagos dos campos? A resposta levou-os literalmente para dentro de água.

Equipados com fatos de mergulho, o trio começou a mergulhar nos lagos dos campos de golfe em França para recuperar as bolas perdidas durante as partidas e a verdade é que em cada sessão chegam a recuperar entre 5 a 10 mil bolas. Não é brincadeira. 

Mas o processo não termina no mergulho. Depois de retiradas dos lagos, as bolas em boas condições são limpas e tratadas, sendo colocadas em tanques com produtos desengordurantes e posteriormente esfregadas num sistema improvisado de limpeza que inclui uma betoneira adaptada com material sintético. O objetivo é simples: devolver-lhes qualidade suficiente para voltarem ao mercado.

Depois de recuperadas, as bolas são separadas por marca, cor e estado de conservação, sendo revendidas online e também diretamente em campos de golfe. Os preços variam entre €9,99 e €169,99 por lote, dependendo da quantidade e da qualidade.

E foi aqui que a ideia se transformou num negócio sólido. Nos primeiros quatro meses de atividade, a Golfiller terá gerado entre 10 mil e 20 mil euros, um valor que, para um projeto tão recente e inusitado, demonstra o potencial económico de um nicho até então ignorado.

Mas o impacto da iniciativa não se mede apenas em euros. O trio sublinha também a dimensão ambiental do projeto. Muitas das bolas recuperadas estão roídas por animais ou rachadas, libertando componentes como uretano no meio ambiente, afentando os solos, a biodiversidade e até os animais selvagens que frequentam os lagos dos campos. 

Segundo os fundadores, o trabalho de limpeza tem, assim, um impacto direto na redução da poluição e os números dizem isso mesmo: em poucos meses, retiraram cerca de duas toneladas de plástico dos lagos.

Entre mergulhos em águas turvas, limpeza artesanal e vendas online, a Golfiller tornou-se um exemplo inesperado de como uma ideia simples pode limpar o planeta e transformar lixo em milhares de euros.

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