Há trabalhos improváveis que, à primeira vista, não parecem uma boa fonte de rendimento. No entanto, a economia contemporânea tem vindo a mostrar que ideias fora do comum ─ muitas vezes nascidas da observação de problemas ignorados ─ podem transformar-se em negócios altamente rentáveis e é por isso que temos de falar de três jovens franceses.
Jules Paris, Elli Perrin e Baptiste Thel são os rostos da Golfiller, uma empresa que nasceu de uma pergunta simples: onde vão parar as bolas de golfe perdidas nos lagos dos campos? A resposta levou-os literalmente para dentro de água.
Equipados com fatos de mergulho, o trio começou a mergulhar nos lagos dos campos de golfe em França para recuperar as bolas perdidas durante as partidas e a verdade é que em cada sessão chegam a recuperar entre 5 a 10 mil bolas. Não é brincadeira.
Mas o processo não termina no mergulho. Depois de retiradas dos lagos, as bolas em boas condições são limpas e tratadas, sendo colocadas em tanques com produtos desengordurantes e posteriormente esfregadas num sistema improvisado de limpeza que inclui uma betoneira adaptada com material sintético. O objetivo é simples: devolver-lhes qualidade suficiente para voltarem ao mercado.
Depois de recuperadas, as bolas são separadas por marca, cor e estado de conservação, sendo revendidas online e também diretamente em campos de golfe. Os preços variam entre €9,99 e €169,99 por lote, dependendo da quantidade e da qualidade.
E foi aqui que a ideia se transformou num negócio sólido. Nos primeiros quatro meses de atividade, a Golfiller terá gerado entre 10 mil e 20 mil euros, um valor que, para um projeto tão recente e inusitado, demonstra o potencial económico de um nicho até então ignorado.
Mas o impacto da iniciativa não se mede apenas em euros. O trio sublinha também a dimensão ambiental do projeto. Muitas das bolas recuperadas estão roídas por animais ou rachadas, libertando componentes como uretano no meio ambiente, afentando os solos, a biodiversidade e até os animais selvagens que frequentam os lagos dos campos.
Segundo os fundadores, o trabalho de limpeza tem, assim, um impacto direto na redução da poluição e os números dizem isso mesmo: em poucos meses, retiraram cerca de duas toneladas de plástico dos lagos.
Entre mergulhos em águas turvas, limpeza artesanal e vendas online, a Golfiller tornou-se um exemplo inesperado de como uma ideia simples pode limpar o planeta e transformar lixo em milhares de euros.
