Sara Ruiz
Sara Ruiz
Design e Artes

Sara ganha mais de 5 mil euros por mês num trabalho que qualquer um pode fazer

O percurso não tem sido fácil, mas o retorno compensa. Eis o trabalho de Sara Ruiz, que teve de deixar tudo por um salário que lhe permite planear o futuro.

Sara Ruiz, a jovem espanhola que ganha mais de 5 mil euros na Suíça

Conhece Carolina Marrero, uma eletricista espanhola

A ideia de um emprego com retorno elevado está quase sempre associada a longos anos de estudo, cargos de prestígio e profissões altamente especializadas. No entanto, a realidade do mercado de trabalho europeu está a mudar. Afinal, parece que existem empregos considerados “comuns” capazes de garantir salários difíceis de alcançar mesmo para licenciados.

É precisamente esse o caso de Sara Ruiz, uma jovem espanhola de 22 anos que decidiu deixar Burgos, em Espanha, para procurar uma vida melhor na Suíça. Hoje, a trabalhar entre um supermercado e um bar de shishas, garante conseguir ganhar mais de 5 mil euros por mês, um valor que, segundo a própria, supera o salário de muitos profissionais qualificados em Espanha.

A história foi partilhada numa entrevista ao canal de YouTube “Me voy al Mundo”, no qual Sara explica sem rodeios o motivo que a levou a emigrar tão cedo, com apenas 20 anos.  

Perante um cenário de contratos precários, salários baixos e rendas cada vez mais caras em Espanha, Sara decidiu então emigrar sozinha e sem formação superior e a Suíça foi a escolha óbvia por oferecer salários muito superiores aos praticados em Espanha e ficar a apenas 2 horas de avião da sua cidade natal.

Como acontece com muitos jovens emigrantes, o primeiro emprego de Sara esteve longe de ser ideal. Começou por fazer limpezas e, depois, através da internet, encontrou trabalho como au pair, a cuidar de crianças numa família suíça. E o horário era exigente: começava às 7h, terminava ao final da tarde e, segundo conta, a sensação era de estar disponível “24 horas por dia”. Pelo trabalho recebia cerca de 600 francos suíços mensais, aproximadamente 654 euros à taxa de câmbio atual.

Num país conhecido pelo elevado custo de vida, o valor era insuficiente para viver confortavelmente. Sara recorda o choque com os preços dos supermercados suíços: “Um pedaço pequeno de salmão custa 15 euros e vi um frango a 50 euros”.

Ainda assim, esses primeiros empregos permitiram-lhe legalizar a situação no país e obter autorização de trabalho. E, progressivamente, melhores oportunidades foram aparecendo. 

Atualmente, Sara trabalha num supermercado com um contrato parcial de 60%, onde recebe cerca de 2.300 euros líquidos por mês, e, paralelamente, faz turnos num bar de shishas sempre que o espaço precisa de reforço. A soma dos dois empregos permite-lhe atingir quase 5 mil francos suíços líquidos por mês, isto é, mais de 5.300 euros ao câmbio atual.

O mais surpreendente é que nenhum destes trabalhos exige formação universitária, experiência altamente especializada ou cargos de chefia. A diferença está sobretudo no mercado laboral suíço, onde mesmo profissões consideradas básicas podem oferecer salários muito acima da média ibérica.

Apesar do rendimento elevado, Sara admite que o ritmo de vida é extremamente desgastante. Há dias em que chega a casa às 23h e acorda novamente às 5h. “Não acredito que consiga aguentar muito tempo porque estou muito cansada”, confessou.

Outro dos maiores obstáculos, mesmo para quem ganha bem, é a habitação. Em Zurique, encontrar casa por menos de 2 mil euros mensais é praticamente impossível. Por isso, Sara vive em Spreitenbach, uma localidade situada a cerca de 25 minutos de carro da cidade. Escolheu viver sozinha num pequeno estúdio com cerca de 50 metros quadrados, apesar do custo elevado, porque valoriza a independência acima da poupança que teria ao partilhar casa.

Apesar do cansaço e das dificuldades, Sara garante que não se arrepende da decisão de emigrar. A jovem acredita que trabalhar na Suíça lhe permitiu alcançar uma estabilidade financeira impossível de imaginar em Espanha. 

“Em Espanha trabalhas para sobreviver. Se te sobram 10 ou 20 euros ao final do mês já é muito”, afirma.

No final da entrevista, deixa ainda uma mensagem motivadora para outros jovens que se sentem presos pela falta de oportunidades: “É preciso ser forte e seguir em frente, lutar pelo que queremos. Se não fores tu a fazê-lo, ninguém o fará por ti.”

Nécessaire

Infarmed alerta para falha em protetores solares e DECO diz qual devemos comprar

Recentemente, a Infarmed anunciou a retirada de dois protetores solares do mercado. Já a DECO PROteste fez testes e descobriu qual o melhor para o rosto... Explicamos tudo.

Design e Artes