Aos 27 anos, trocou a medicina pela construção civil. A razão? 32 euros por hora
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Rafaela Simões
- 1 jun, 11:32
Um curso em medicina já não é hoje em dia garantia de sucesso. Há, afinal, outra área onde se pode ganhar muito mais. Que o diga Nerea.
Conhece Nerea, a jovem que trocou a medicina pelas obras
O trabalho de Beatriz Ryder como fotógrafa de surf
Num contexto em que muitos jovens enfrentam dificuldades para encontrar empregos estáveis e bem remunerados, cresce o interesse por profissões que, durante décadas, foram vistas como pouco atrativas.
Enquanto milhares de licenciados procuram oportunidades compatíveis com a sua formação académica, setores tradicionais como a construção civil enfrentam uma escassez cada vez mais grave de trabalhadores.
E, perante essa escassez, Nerea, de 27 anos, foi atrás das suas oportunidades. Apesar de ter concluído o curso de Medicina, uma das formações universitárias mais exigentes e competitivas de Espanha, a jovem decidiu adiar o caminho tradicional da especialização médica para embarcar numa aventura na Austrália. O objetivo inicial era viajar e ganhar novas experiências antes de regressar ao seu país para preparar o exame de acesso à especialidade, no entanto, a experiência acabou por lhe abrir horizontes inesperados.
Durante a sua estadia na Austrália, trabalhou em várias áreas, desde a hotelaria até à construção civil. Foi precisamente neste último setor que descobriu uma vocação improvável e um conjunto de competências que nunca imaginara possuir... nas obras.
Mas antes mesmo de colocar o capacete, Nerea deparou-se com um dos maiores obstáculos: o preconceito.
Segundo relata, em vários processos de recrutamento as entrevistas mudavam de tom quando os empregadores percebiam que estavam perante uma mulher. "Quando sabem que sou mulher, muitas vezes a conversa termina ali", explicou num vídeo de TikTok. Mas não desistiu.
Ainda assim, recusou aceitar que o género determinasse a sua capacidade profissional e com o tempo e prática foi evoluindo nas obras.
A jovem espanhola garante que os rendimentos obtidos nas obras australianas estão muito acima daqueles que poderia esperar receber em Espanha numa fase inicial da sua carreira como médica. Atualmente, recebe cerca de €32 brutos por hora, embora existam trabalhadores que chegam a ganhar até €50 por hora.
Os valores ajudam a explicar porque tantos jovens europeus escolhem passar uma temporada em países como a Austrália para trabalhar, acumular poupanças e adquirir experiência profissional.
Para Nerea, esta fase representa muito mais do que uma oportunidade financeira. Tem sido também uma forma de sair da sua zona de conforto, conhecer novas realidades e desenvolver competências práticas. Através das redes sociais, partilha o seu quotidiano nas obras, a vida no estrangeiro e conselhos para quem pondera seguir um percurso semelhante.
Apesar da satisfação com a experiência, a jovem não abandonou o sonho da Medicina. O plano continua a passar pelo regresso a Espanha para preparar o exame MIR (Médico Interno Residente) e iniciar a carreira como médica.
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