Ganha milhares de euros a fazer o que todos podem fazer, basta ter voz (e não precisa de ser boa)
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Rafaela Simões
- 2 set, 17:03
Há trabalhos que pagam milhares e ninguém quer fazer. Esta mulher descobriu uma forma de ganhar milhares de euros simplesmente com a voz.
Emily Jardine e a vida como freelancer de locução
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Há empregos que são demasiado exigentes e ninguém quer fazer e depois há aqueles que simplesmente nunca nos ocorrem quando pensamos numa carreira. Mas imagina poderes mudar a tua vida simplesmente com... a tua voz.
Foi isso que fez Emily Jardine, uma inglesa de 37 anos, que ganha atualmente mais de 135 mil euros por ano a fazer dobragens de voz, locuções para grandes marcas e empresas tecnológicas. Entre os seus clientes estão nomes como Google e WhatsApp. Mas o caminho de Emily é um tanto inesperado.
Natural de Reading, em Inglaterra, nunca seguiu o percurso mais tradicional: depois de concluir os estudos na área comercial, decidiu não entrar para a universidade. "Sou música há muitos anos e sempre segui o meu próprio caminho. A universidade simplesmente não era para mim", explicou numa entrevista ao jornal italiano Il Messaggero.
Depois de experimentar a representação e trabalhar em diferentes empregos administrativos, Emily encontrou, em 2012, uma oportunidade através da plataforma Gumtree. Foi contratada como assistente de projeto num estúdio de gravação, no qual ajudava na seleção e gestão de atores e profissionais de voz.
E foi precisamente ali que tudo mudou.
Um dia, o seu responsável pediu-lhe que gravasse um pequeno excerto ao microfone. Emily não tinha experiência profissional como locutora e recorda que ficou completamente nervosa.
"Estava aterrorizada. Achava que conseguiam ouvir o meu coração a bater", contou.
Mas, assim que começou a trabalhar com o microfone, percebeu que tinha descoberto algo que realmente adorava fazer.
O percurso até aos milhares de euros
Durante os primeiros meses, Emily trabalhou gratuitamente para ganhar experiência e construir um portefólio. Aos poucos, os clientes começaram a regressar e os primeiros trabalhos pagos surgiram. Com o tempo, começaram também a chegar marcas cada vez maiores.
Vodafone, Milka e Coca-Cola foram alguns dos nomes para os quais acabou por emprestar a voz.
Em 2017, decidiu tornar-se freelancer e apesar de os primeiros anos não terem sido fáceis, cerca de cinco anos depois passou de receber apenas algumas centenas de euros para lhe cair na conta 135 mil por ano.
Atualmente, Emily Jardine é representada por 51 agentes em 24 países e trabalha para clientes de todo o mundo a partir do seu próprio estúdio profissional, construído no jardim de casa. O horário? Entre as 10h e as 18h.
Mas há algo determinante para conseguir este trabalho, ter uma voz e saber usá-la ou ter uma formação. "Se tiveres determinação, criatividade e algo único para oferecer, podes mudar radicalmente a tua carreira", encoraja Emily a que outros que queiram mudar de vida através da voz, que, no caso de Emily, valeu milhares de euros.
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