Marta Socorro mudou para a Autrália para trabalha num setor inesperado | Fotografia: Instagram @martasocorro_
Marta Socorro mudou para a Autrália para trabalha num setor inesperado | Fotografia: Instagram @martasocorro_
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Marta ganha 5.600 euros por mês num setor inesperado com falta de profissionais

Sabemos que as condições de trabalho não estão favoráveis para muitos jovens na Europa (que o diga Portugal). Muitos vão para fora à procura de melhores oportunidades e a Austrália tem um setor bastante atrativo.

Enquanto em grande parte da Europa se discute a subida do salário mínimo e a conciliação entre vida pessoal e profissional, noutras geografias a lógica é distinta: trabalha-se mais horas, durante mais dias consecutivos, mas com salários que dificilmente chegam aos alcançados em Portugal ou França. 

Como é que sabemos? Graças a Marta Socorro, uma jovem espanhola das Canárias que trocou a proximidade do Atlântico pela vastidão árida da Austrália. O destino? As minas, um dos pilares da economia australiana há várias décadas. A poderosa indústria mineira do país precisa tanto de técnicos especializados, como de trabalhadores para funções mais básicas e os salários elevados tornaram-se um íman para jovens estrangeiros com vistos temporários.

“Recebo mais de 1.400 euros limpos por semana”, conta Marta nas redes sociais, onde partilha a “realidade” de limpar minas em território australiano. Convertendo os valores, um trabalhador casual pode ganhar cerca de 2.500 dólares australianos líquidos por semana (aproximadamente €1.480), podendo chegar aos 3.000 dólares em algumas empresas.

 

Mas há um reverso da medalha.

Ao contrário do que acontece com contratos a tempo inteiro (full time), os trabalhadores casuais não têm direito a férias pagas, não recebem durante as semanas de descanso e, se adoecerem, simplesmente deixam de ter rendimento. “Quando não trabalho, não recebo nada”, sublinha Marta. Mas não é só essa a desvantagem. 

“Muita gente pensa que é só limpar, mas é um trabalho duro, muito duro”, garante Marta, acrescentando que a carga horária é muito exigente, com turnos que se organizam em ciclos de 14 dias consecutivos, com jornadas de 11 horas diárias. 

 

Como se tudo isto não bastasse, o ambiente também não facilita. No verão australiano, as temperaturas tornam-se “extremas”, especialmente nas zonas remotas onde muitas minas estão localizadas, para além disso é um trabalho que implica um isolamento constante. “Há dias em que realmente não falo com ninguém”, confessa a jovem. 

A história de Marta é um retrato claro das assimetrias do mercado de trabalho global: salários elevados que compensam (ou tentam compensar) condições exigentes, isolamento e ausência de garantias laborais tradicionais. Não é uma escolha fácil, mas para muitos jovens europeus representa uma oportunidade de poupança rápida e crescimento pessoal.

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