É um homem do digital, mas com um pé firme no mundo real, com um gosto especial por um vinho bem escolhido que diz mais do que mil tendências, e viagens que não são checklists, mas histórias que se acumulam... E o que dirá o seu guarda-roupa? Quisemos, assim, saber mais sobre o outro lado de Ricardo Tomé.
Qual foi a viagem que te mudou como pessoa, não como profissional?
Inter-Rail aos 19 anos. 32 dias (consegui a compreensão dos fiscais em Espanha e Portugal no regresso, por ter ultrapassado 1 dia o limite legal de uso), 12 países, algumas amizades e muitas aventuras. Um ponto de viragem pessoal natural, numa altura em que ainda não tínhamos smartphones, telefonávamos de cabines a cada dois dias, geríamos a descoberta com mapas das cidades em papel apanhados das estações de comboio, cambiávamos dinheiro aqui e acolá, por vezes dormíamos onde calhava ou em casa de quem tínhamos conhecido na viagem desse dia… uma diversão!
Já tiveste uma experiência de viagem que não contarias?
Algumas são mais partilháveis que outras, mediante fórum mais ou menos familiar. Mas nenhuma que seja um segredo guardado com algum tipo de sigilo tumular.
O que procuras quando viajas? É diferente de há 10 anos?
Algo que me faça sair da zona de conforto, do que já estou habituado, e me faça ampliar a dimensão intelectual. São as melhores. Mais do que monumentos bonitos e impactantes, ou a natureza incrível. Tudo isso pode ser mágico. Mas se no final não “mexer” connosco, não foi uma viagem marcante. Normalmente são viagens que ou sentimos no imediato, ou então só meses depois. Porque não nos saem da cabeça, porque damos por nós a mudar comportamentos, opiniões, ideias… Uma viagem que nos mantenha numa visão tubular e não abra os horizontes será sempre uma viagem menos interessante.
O que nunca pode faltar à mesa, independentemente do lugar do mundo?
Uma boa conversa, com troca de ideias e experiências.
Lembras-te do primeiro vinho que te fez parar e prestar atenção?
Já não, infelizmente. Na verdade, nem sei se houve esse momento. Creio foi uma aprendizagem e descoberta mais gradual. Mas lembro de visitar no verão de 2020 a Quinta do Vale Meão, no que deveria ter sido uma tour de 10 ou 20 pessoas e sermos apenas eu e a minha esposa, em período de interrupção confinamento Covid-19, e após a magnífica explicação detalhada pela guia sobre o vale (a minha origem é ali do lado, Vila Nova de Foz Côa), a barca e o Barca Velha, da Da. Ferreirinha, da capela, da adega… de tudo isso, no final pagar a prova de um vinho e escolhi o Quinta do Vale Meão e apreciar esse momento com o corolário merecido.
Como descreves o teu estilo?
Casual.
Tens alguma peça de roupa com valor emocional forte?
Várias. Talvez destaque umas calças Levi’s usadas em várias viagens marcantes (e já elas bem marcadas!).
Já sabemos que é pela VERSA que sabes as tendências de moda. Mas tens alguma referência de estilo? Em quem te inspiras para os teus looks?
Ninguém em particular. Acho que vou absorvendo... Naquilo que vejo aqui e ali e me identifico e no que me sinto bem, creio depois emerge daí. Mas é curioso agora que dois dos três filhos são adolescentes, dar por mim a meter-me com eles sobre o estilo de cada um e eles comigo. A moda também consegue ser uma conexão nas conversas entre gerações. E sim, já me vieram "roubar" peças ao closet!
