Durante décadas, a indústria da estética habituou-nos a uma linguagem de combate. Combate às rugas, à flacidez, aos sinais de envelhecimento. Mas algo está a mudar na mentalidade e não é apenas uma tendência passageira.
O conceito de “pró-pele” veio para ficar e surge como resposta a um cansaço coletivo face a resultados artificiais e a uma abordagem que, muitas vezes, ignorava o mais importante: a saúde da própria pele. No fundo significa menos intervenção agressiva e mais compreensão biológica; menos correção imediata e mais regeneração sustentada.
Mas como é que o conceito se traduz na prática clínica? E de que forma está a redefinir os tratamentos disponíveis?
Para compreender melhor esta mudança de paradigma, falámos com o Dr. Pedro Santos, médico de medicina estética, que nos explica como o conceito “pró-pele” está a transformar a forma como cuidamos da nossa pele.
O que significa o conceito “pró-pele”?
Significa mudar o foco. Durante anos, a estética foi construída numa lógica de combate: combater rugas, combater flacidez, combater o tempo. O conceito “pró-pele” propõe exatamente o contrário: trabalhar com a biologia da pele, respeitar os seus ritmos e potenciar a sua capacidade natural de regeneração. Não se trata de parecer mais jovem. Trata-se de ter uma pele que funciona melhor. E uma pele que funciona melhor, para além de mais saudável, é naturalmente bonita.
O que motivou a transição do conceito de “anti-idade” para “pró-pele”?
Uma maior maturidade, tanto da Medicina Estética, como dos próprios pacientes. Um cansaço de resultados exagerados e demasiado óbvios, fruto de um conceito que diria até que foge daquilo que são princípios médicos básicos. Hoje sabemos que envelhecer não é um problema a eliminar, mas um processo biológico a compreender. E quando compreendemos os mecanismos, sejam a inflamação crónica, a degradação da matriz extracelular, a perda e alteração de funções celulares, percebemos que faz mais sentido intervir na origem do que tentar corrigir apenas a consequência. É uma transição quase inevitável: da correção para a regeneração.
O que procuram atualmente as mulheres quando recorrem a tratamentos estéticos?
Procuram coerência. Querem resultados visíveis, mas que sejam naturais, sustentáveis e integrados na sua identidade. Já não procuram “mudar de cara”, mas sim manter qualidade de pele, definição e jovialidade ao longo do tempo. E há algo muito relevante: procuram sentir que estão a cuidar de si, não a esconder algo. Mais que não envelhecer, é envelhecer bem.
De que forma esta nova abordagem “pró-pele” influencia a escolha dos tratamentos e procedimentos recomendados?
Influencia tudo. Deixamos de escolher tratamentos apenas pelo resultado imediato e passamos a valorizá-los pelo impacto biológico a médio e longo prazo. Privilegiam-se tecnologias e abordagens que estimulam a pele a funcionar melhor, pela produção de colagénio de qualidade, reorganização da matriz, melhoria da vascularização e da comunicação celular. É aqui que entra também o conceito de "skin biohacking": utilizar tecnologia para modular o comportamento da pele de forma inteligente, quase como se reprogramássemos os seus mecanismos internos, de forma a ter influência visível na qualidade da pele.
Pode dar exemplos de tratamentos ou tecnologias que reflitam claramente esta mudança de paradigma?
Um bom exemplo é a combinação estratégica de diferentes tecnologias com objetivos complementares. O Liftera assume aqui um papel central, porque permite atuar naquilo que verdadeiramente sustenta o rosto: a arquitetura profunda. Através de ultrassom microfocado com emissão digital, conseguimos, de uma forma segura, trabalhar com uma precisão muito elevada sobre ligamentos e planos estruturais, induzindo não só produção de colagénio, mas também um reposicionamento dos tecidos. Não é apenas um efeito tensor, é uma forma de devolver coerência estrutural ao envelhecimento, respeitando a anatomia de cada rosto.
Quando associamos a um biorregenerador injetável com tecnologia LASYNPRO, como o Juläine, não estamos apenas a “estimular colagénio”, estamos a recuperar função e qualidade tecidular, promovendo uma regeneração mais inteligente e sustentada.
E ao nível mais superficial e celular, tecnologias como o LaseMD Ultra permitem não só melhorar textura, poros e rugas finas, mas também atuar a nível molecular, ativando genes associados ao bom funcionamento celular e silenciando vias ligadas ao envelhecimento. Esta integração é o verdadeiro paradigma “pró-pele”: diferentes camadas, diferentes mecanismos, uma única lógica sinérgica: otimizar a biologia da pele.
Considera que a mudança para uma abordagem mais “pró-pele” está também ligada a uma maior aceitação do envelhecimento natural?
Sem dúvida. Mas mais do que aceitação, diria compreensão. As pessoas deixaram de ver o envelhecimento como algo a esconder e passaram a vê-lo como algo que pode ser vivido com cada vez mais qualidade. E cada vez mais é uma preocupação precoce, com o intuito de manter a qualidade da pele e o aspeto jovial mais que corrigir. A Medicina Estética deixa de ser uma tentativa de parar o tempo e passa a ser uma forma de o acompanhar com inteligência.
Que conselhos deixaria às mulheres que querem cuidar da pele de forma mais consciente e alinhada com esta nova abordagem “pró-pele”?
Diria que o primeiro passo é mudar a forma como olham para a pele. A pele não é algo que se corrige, é um sistema biológico que se orienta. E isso exige menos impulso, menos trends e mais consistência e coerência. Mais do que acumular produtos ou tratamentos, importa compreender o que a pele precisa em cada fase, e agir de forma coerente com essa necessidade: seja proteger, regenerar ou simplesmente não interferir.
Há também uma mudança subtil, mas decisiva: deixar de procurar resultados imediatos e passar a valorizar processos que constroem qualidade ao longo do tempo. Porque, no fim, cuidar da pele de forma consciente não é fazer mais. É fazer melhor. Não contra a pele. Mas com a pele.
