Há gestos tão automáticos que deixamos de pensar neles. Carregar no botão da máquina de café enquanto ainda estamos meio a dormir. Encher a nossa garrafa antes daquele treino que nunca apetece. Lavar o rosto na rotina de skincare que obriga a terminar bem o dia.
Em comum, todos estes momentos têm uma coisa: a água.
Está presente nos rituais mais simples e também naqueles pequenos luxos do quotidiano que já nem questionamos. Mas antes de chegar à chávena do café, ao copo de limonada nestes dias quentes ou ao nosso banho… percorreu um longo caminho.
Tudo começa na natureza. A água é captada, tratada e analisada continuamente para cumprir rigorosos padrões de qualidade. Só depois segue viagem até às nossas casas, num processo assegurado por empresas como a EPAL.
Atualmente, a EPAL gere dois grandes subsistemas de abastecimento — Castelo do Bode e Tejo. O primeiro é responsável por cerca de 80% da capacidade de produção da empresa e consegue tratar até 625 mil metros cúbicos de água por dia. O subsistema do Tejo produz diariamente cerca de 400 mil metros cúbicos, desempenhando também um papel importante no abastecimento.
E se pensas que isto impressiona…. a viagem está longe de ficar por aqui.
Todos os dias, 24 horas por dia, equipas de engenheiros, operadores, técnicos e especialistas monitorizam um sistema altamente complexo para garantir que, sempre que abrimos uma torneira, a água chega com a qualidade e a segurança comprovadas pelas mais de 300 mil análises realizadas anualmente nos Laboratórios Acreditados da EPAL.
Para isso, percorre mais de 700 quilómetros de adutores até à rede de distribuição que, só em Lisboa, integra mais de 1.400 quilómetros de condutas, mais de uma dezena de reservatórios e estações elevatórias e mais de cem mil ligações aos edifícios. No total, a rede ultrapassa os 2.100 quilómetros e é acompanhada em tempo real através de um centro de telegestão que monitoriza cerca de duas centenas de infraestruturas.
Pensar neste percurso não tira magia ao primeiro café da manhã. Nem ao copo de água gelada depois de correr, ao duche que nos desperta, à água com que lavamos a fruta ou à taça que enchemos para o nosso animal de estimação.
Pelo contrário. Faz-nos perceber que cada um destes momentos só acontece porque existe uma enorme rede de pessoas, tecnologia e infraestruturas a trabalhar de forma quase invisível.
Também nos lembra outra realidade: a água é um recurso natural finito. A natureza demora anos a repor aquilo que conseguimos gastar em poucos minutos.
E eis quando o cenário nos faz parar... e pensar: só em Portugal desperdiçam-se todos os anos cerca de 190 mil milhões de litros de água tratada. Sim, leste bem. Um número difícil de imaginar até pensarmos que cada um desses litros passou exatamente pelo mesmo percurso que leva a água até ao copo que tens pousado na tua mesa.
A boa notícia é que valorizá-la não exige grandes sacrifícios. Fechar a torneira enquanto escovamos os dentes, reduzir alguns minutos no banho, usar apenas a água de que realmente precisamos ou evitar deixá-la a correr sem necessidade são gestos simples que, multiplicados por milhares de pessoas, têm um impacto real.
Porque a água está presente nos momentos mais banais e também nos mais especiais. E talvez seja precisamente por fazer parte de todos eles que mereça ser tratada como aquilo que realmente é: um dos recursos mais valiosos que temos. Sim, a água é o nosso maior luxo.
