Regresso às aulas | Fotografia: Unsplash
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Regresso às aulas: como prevenir lesões nas crianças

Em mês de regresso às aulas e à atividade física, um artigo educativo pelo Dr. Filipe Machado, ortopedista na Affidea.

Dr. Filipe Machado, ortopedista na Affidea | Fotografia: D.R.

Setembro é tempo de reencontros, mochilas novas e muita energia para gastar no regresso às aulas. Mas esta época traz também alguns riscos: depois de um verão mais descontraído, em que muitas crianças deixam de praticar desporto com regularidade, o regresso às aulas de Educação Física e às atividades extracurriculares pode traduzir-se num aumento repentino de esforço físico. Essa transição brusca, sem preparação, abre espaço para entorses, dores musculares e até fraturas.

As lesões mais frequentes nesta altura são entorses de tornozelo, traumatismos no joelho e no punho, fraturas simples do antebraço e pequenas lesões musculares. Entre os jovens que praticam desporto mais intensamente, é comum surgirem lesões por sobrecarga, como tendinites ─ inflamação a nível dos tendões causada por esforço repetido ─ ou dores associadas às zonas de crescimento ósseo. Muitas destas lesões, embora não sejam graves, podem ter impacto no dia a dia e até mesmo no rendimento escolar.

Outro clássico do regresso às aulas é o peso das mochilas. Quando são demasiado pesadas ou usadas incorretamente provocam dores nas costas, má postura e fadiga muscular. A regra é simples: a mochila não deve ultrapassar 10 a 15% do peso da criança e deve ser usada sempre com as duas alças ajustadas, junto ao corpo e nunca abaixo da cintura.

A prevenção, no entanto, começa ainda antes da escola. Manter as crianças ativas durante o verão, seja a nadar, andar de bicicleta ou brincar ao ar livre, ajuda a preparar o corpo para o regresso às atividades. Também é importante verificar o calçado: deve ser confortável, estável e com sola antiderrapante. E quando chega a hora de organizar os materiais escolares, vale a pena reduzir ao máximo o peso desnecessário.

Na escola, é essencial garantir que as aulas de Educação Física incluem aquecimento e alongamentos, e que os recreios têm regras claras para evitar quedas e choques, sendo que o mesmo se aplica às atividades extracurriculares, como futebol, dança ou artes marciais: são fundamentais para a saúde e bem-estar, mas devem ser retomadas de forma gradual. Treinos progressivos, aquecimento, alongamentos e períodos de descanso são indispensáveis para evitar lesões.

E quando ocorre uma lesão? As situações mais graves geralmente não geram dúvidas ─ a presença de dor forte, de uma deformidade (membro com uma posição fora do normal) ou a dificuldade em apoiar o pé ao andar ou de mover o braço, deverá levar a uma avaliação médica imediata. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e orientado o tratamento, menor o risco de complicações. Em situações mais ligeiras, podem iniciar-se medidas básicas em casa, como o repouso e proteção da zona afetada, aplicação de gelo local e elevação do membro. Caso não se verifique melhoria em 48h, não se deve adiar a observação médica.

O regresso às aulas deve ser vivido com entusiasmo, mas também com responsabilidade. Pequenos cuidados, como escolher bem a mochila, incentivar hábitos saudáveis e respeitar os sinais do corpo fazem toda a diferença. Assim, ajudamos as crianças a crescerem ativas, confiantes e seguras, prontas para aproveitar o novo ano letivo sem limitações.

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