A aldeia perto de nós que tem a sua própria muralha da China e águas azul turquesa
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Rafaela Simões
- 21 mai, 11:58
Em Espanha, há uma aldeia que nos transporta até à China e não é obra do Homem. A natureza encarregou-se deste monumento.
Conhece a Muralla de Finestres, conhecida como a “Grande Muralha da China” espanhola
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Ao longo da história, os grandes monumentos do mundo despertaram tal fascínio que acabaram por ganhar réplicas nos lugares mais inesperados. A Torre Eiffel, símbolo maior de Paris, tem uma versão quase surreal em Tianducheng, na cidade chinesa de Hangzhou, enquanto a famosa Torre de Pisa encontrou um “irmão” improvável no sul do Brasil, em Pedras Grandes, no estado de Santa Catarina. Mas não é só o Homem que leva grandes símbolos nacionais além fronteiras: também a natureza parece, por vezes, divertir-se a criar as suas próprias versões de paisagens icónicas.
É precisamente isso que acontece entre Aragão e Catalunha, onde um pequeno povoado abandonado guarda aquilo a que muitos chamam a “Grande Muralha da China” espanhola. O cenário encontra-se em Finestres, uma aldeia desabitada situada na província aragonesa de Huesca, junto à fronteira com Lleida, e tornou-se nos últimos anos um dos lugares mais surpreendentes da Península Ibérica.
Conhecidas como Las Rocas de la Villa ou, no seu conjunto, como Muralla de Finestres, as formações rochosas erguem-se de forma quase impossível sobre as águas do reservatório de Canelles. Vistas ao longe, parecem muralhas gigantescas construídas por uma civilização antiga, mas, na realidade, são paredes naturais de calcário moldadas ao longo de milhares de anos pela atividade tectónica da serra do Montsec. O resultado é uma impressionante barreira vertical que serpenteia pela montanha e que faz lembrar, de forma inesperada, os contornos da Grande Muralha da China.
O contraste entre a pedra cinzenta e as águas azul-turquesa do reservatório contribui para a atmosfera quase irreal do local. Não é difícil perceber porque se transformou num destino de culto para caminhantes, fotógrafos e amantes de paisagens pouco comuns. E talvez o mais curioso seja o silêncio que envolve toda a zona, uma vez que Finestres perdeu os seus habitantes há décadas, sobrevivendo apenas a solitária da ermida de San Vicente, que oferece uma das vistas mais impressionantes sobre o reservatório e sobre a chamada “muralha natural”.
Mas como chegar até esta aldeia? Há quem escolha ir de barco ou de caiaque, partindo do embarcadouro de Corçà, na comarca catalã de La Noguera, já outros mais aventureiros optam pelo percurso pedestre exigente, que atravessa o impressionante Congost de Mont-rebei. A caminhada inclui passadiços suspensos, pontes sobre o vazio e trilhos de montanha que conduzem até ao antigo povoado. É uma rota longa e fisicamente desafiante, mas recompensada por algumas das paisagens mais dramáticas do nordeste espanhol.
Já quem prefere uma visita mais confortável pode chegar de automóvel através da estrada N-230, entrando em Aragão pela zona de Estopanyà del Castell. Apesar de mais acessível, o caminho mantém o sentimento de isolamento que caracteriza Finestres: estradas estreitas, montanhas silenciosas e a sensação de se entrar num lugar esquecido pelo tempo. Precisamente aquele que mostramos nas imagem.
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