Infelizmente, quando falamos de saúde, o sono continua a ser um dos pilares mais negligenciados. No entanto, dormir bem, isto é, com qualidade e durante tempo suficiente, é essencial para uma correta recuperação física e mental: permite consolidar a memória, regular as emoções, reparar tecidos musculares e eliminar toxinas, entre muitas outras funções vitais.
Foi precisamente sobre este tema que a especialista em microbiota Sara Marín falou no podcast Tus amigas las hormonas, conduzido por Isabel Viña. E deixou alertas que podem mudar a forma como olhamos para as nossas rotinas (sobretudo ao fim de semana).
O erro de “recuperar” o sono ao fim de semana
Para muitos, dormir até tarde ao sábado ou ao domingo é quase um ritual de compensação pelos dias de semana em que as noites de sono foram mais curtas. Contudo, essa estratégia pode estar a sabotar o ritmo biológico.
“Se acordas todos os dias às oito e ao fim de semana acordas à uma da tarde, o teu corpo demora três dias a recuperar o ritmo circadiano que alteraste”, revelou Sara Marín.
O chamado ritmo circadiano ─ o nosso “relógio interno” ─ precisa de consistência, pelo que alterá-lo drasticamente em dois dias pode significar começar a semana seguinte já em descompasso. E há mais: a ideia de que se pode “pagar a dívida” de sono com uma maratona na cama ao domingo não corresponde à realidade fisiológica. A verdade é que “por dormires mais quatro horas nesse dia não vais recuperar o sono da semana."
Regularidade acima de compensação
A mensagem é, portanto, que mais importante do que tentar recuperar horas perdidas é manter uma rotina estável. Dormir durante a semana o mesmo que se dorme ao fim de semana e acordar sensivelmente à mesma hora pode ser uma das chaves para um descanso verdadeiramente reparador.
Num tempo em que se valoriza a produtividade constante e se adia o descanso para “quando der”, talvez o maior luxo seja mesmo este: respeitar o relógio biológico e abandonar a lógica da compensação. Afinal, o sono não é uma conta bancária onde se fazem depósitos tardios, é um processo diário que exige regularidade, disciplina e, acima de tudo, prioridade.
Entre outras recomendações mais práticas, Sara Marín destacou ainda a importância do horário do jantar. Isto porque, logicamente, se o corpo está ocupado a digerir, não está nas condições ideais para iniciar um sono profundo e reparador. Como sublinhou Sara, “deves jantar às oito, no máximo às nove.”
