Novos arquitectos portugueses
Evasão

Esta é a nova geração da Arquitetura portuguesa

Num país pequeno, mas que tanto se orgulha de ter dois Pritzkers, quais são os novos talentos nacionais da Arquitetura? O CCB responde com Novos Novos, para ver na Garagem Sul até dia 4 de setembro.

“A exposição Os Novos Novos mostra os caminhos da invenção, das novas ideias que fazem falta ao mundo e, também, a vontade de construir melhor protagonizada por uma nova geração”, lemos na apresentação da exposição que nos encaminha para cinco nomes que se destacam na nova Arquitetura portuguesa. São eles os rar.studio, Diogo Aguiar Studio, Ponto Atelier, Barão-Hutter e fala.

A trabalhar em Lisboa, Porto, Funchal e St Gallen, na Suiça, esta leva de arquitetos pensa uma nova forma de habitamos os lugares, com variedade e qualidade, mas também espelham as preocupações da sua geração, mais urgentes e acutilantes, lançando ideias e pistas para o futuro.

Na exposição podemos ver, de cada atelier, uma obra já contruída e um projeto que ainda não saiu do papel – e percebemos o quanto ainda está por fazer. Com curadoria de André Tavares, com quem a Versa trocou umas ideias:

Sentes alguma tendência para pensar arquitetura de uma determinada nova forma, e que distinga esta nova geração, ou os problemas são os mesmos e só muda a estética?

Hoje há uma consciência clara de que temos de mudar a forma de construir. Esta nova geração está a demonstrar que a arquitectura não se resolve com estética, que é necessário usar a inteligência. A «assinatura» de autor, que caracterizou a arquitectura do passado, está a ser substituída por uma capacidade de compreender os problemas que temos quando queremos construir coisas novas e relevantes para o futuro. Por isso, não se sente uma tendência só, mas várias vozes capazes de dar resposta às necessidades do presente.

Com um crescimento populacional exponencial, o espaço é cada vez mais exíguo… Sentes que os novos projetos levam isso em conta quando pensam as apropriações de espaço, ou nem por isso?

Mais do que o espaço, o que é cada vez mais exíguo são os recursos. O planeta está no limite e a indústria da construção tem uma grande responsabilidade nessa destruição em curso. Estes novos arquitectos estão a pensar como é que se aproveita o que temos e como evitamos destruir o que ainda se pode salvar. E, sobretudo, como é que podemos viver melhor nestas condições. Afinal, gostamos de estar “juntinhos,” por vezes estarmos “apertadinhos” é bom!

Olhando para estes projectos, tens alguma pista sobre novas tendências de habitação e arquitectura lançadas por uma nova geração?

Uma relação mais equilibrada com a natureza, quer na maneira como as casas e as cidades se relacionam com os espaços naturais, quer nos materiais com que se constrói.

Algum destes projetos te arrebatou por alguma razão particular?

Posso destacar o projecto do rar.studio para a transformação do edifício do Banco de Portugal na Avenida Almirante Reis, em Lisboa. É um projecto que ainda está a nascer, para uma estrutura gigante que vai ter de ser transformada em breve. As arquitectas fizeram uma proposta que passa por não demolir o que existe, aproveitar a energia que está acumulada na construção. E introduzir na obra usos públicos que vão trazer uma nova dinâmica à cidade.

Para ver na Garagem sul do Centro Cultural de Belém, até 4 de setembro.

Praça do Império 1449-003 Lisboa

O bilhete custa 6,00 €

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