Fotografia: Unsplash. Edição: Vasco dos Santos
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ControVERSA. Quando as igrejas se convertem, não há pecado que lhes resista

Quem resiste à tentação de dormir numa igreja de cinco estrelas ou de subir a um altar para pedir um cocktail? Se não te confessas, confesso-me eu.

São os chamados tempos ou templos modernos. Um pouco por todo o mundo, não faltam espaços outrora sagrados a darem lugar a estabelecimentos laicos. Maioritariamente, falamos de antigos edifícios de culto que careciam de reabilitação e, para o bem da economia local, muitos podem dar graças a Deus pelas reformas que sofreram. Mas, como todos sabemos, de boas intenções está o inferno cheio...

É o caso da Igreja Metodista de Camden, em Londres, situada na Área de Conservação da Cidade. Este edifício histórico, localizado numa das áreas mais populares e turísticas da região, foi remodelado para dar lugar a um hotel de quatro estrelas, mas manteve a fachada e acabamentos históricos que datam do século XIX e, ainda, um piso inferior para espaço de culto da comunidade. Aqui, conseguiu-se preservar o melhor do céu e da terra, mas tal não aconteceu em outros tantos e famosos espaços, agora profanos.

Ainda em Londres, temos o caso do hotel de cinco estrelas L’Oscar, conhecido pelo luxo e opulência dos quartos. Aqui, a luxuria dá conta do pecado mor, mas é no bar do hotel onde nos benzemos, já que este substituiu a capela que lá existia desde 1903.

Mas as remodelações mais inesperadas são encontradas em Amesterdão. E, não, não falamos daquela que é uma das livrarias mais bonitas do mundo, batizada com o nome Selexyz Dominicanen, em Maastricht, que tomou o lugar de uma igreja com mais de 700 anos e agora oferece café no seu antigo santuário. É que os livros perdoam-se, mas quando falamos de discotecas, a coisa fica mais profana.

Falamos da igreja do século XIX que, um século mais tarde, deu lugar a um espaço de lazer hippie e que é hoje “Paradiso”. Esta aclamada discoteca holandesa, que ironicamente dá pelo nome de “paraíso”, já recebeu os mais célebres e hereges artistas em palco, como Lady Gaga, uma voz maravilhosa que certamente não seria admitida no coro de uma igreja.

E, por falar em discotecas, não vamos esquecer a igreja nova-iorquina que virou pista de dança em 1980 e que hoje é um dos centros comerciais mais conhecidos de Nova Iorque – LimeLight Marketplace. Mas esta reforma ganha pontos por ainda manter os lindos vitrais ao redor das mais de 40 lojas.

Quem fala de discotecas, fala de pubs - e quem fala de pubs, fala da Irlanda. Aqui, um dos mais famosos bares chama-se The Church. Escusado será dizer que os sermões eram outros e ninguém brindava com cerveja.

Entre comes e bebes, vamos ainda lembrar a capela na Antuérpia que virou o restaurante The Jane, um espaço lindo, com pratos de bradar aos céus. O altar da antiga capela é, curiosamente, o local sagrado do atual espaço - a cozinha - e gula é certamente o pecado que aqui nos espera.

Depois deste roteiro herege, resta-me cantar à capela a música de Hozier “Take me to church!”.

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