Marraquexe. Fotografia: visitmorocco.com
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48 Horas em Marraquexe

O que ver, onde comer, onde ficar.

É uma frase feita, mas para mim Marraquexe é sempre uma boa ideia. Seja em que altura do ano for, a cidade tem sempre uma energia especial, uma forma simpática de nos receber, uma oferta cultural para todos os gostos e que me leva a querer voltar. Desta vez, e pela primeira vez, aventurei-me em agosto, com as temperaturas bem altas, nada que não se resolva com um almoço prolongado num rooftop na Medina preparados para o calor, ou junto à piscina do hotel. O que me continua a fascinar é entrar no avião e ao fim de pouco mais de uma hora de voo, entrar numa cultura diferente, onde apesar do foco no turismo, ainda se consegue sentir a identidade do país. Apenas 48 horas é pouco para viver toda a experiência que é Marraquexe, mas deixo algumas sugestões do que mais me fascina na cidade.

O QUE VISITAR:

. Praça Jemaa el -  É o coração de Marraquexe, o cartão-postal da cidade e um lugar eletrizante. A hora mais interessante para visitar é ao por-do-sol (que se deve assistir numa das varandas dos vários cafés à volta da praça) e é o momento em que a praça se transforma e anima. Há bancas com comida, há vendedores barulhentos que nos chamam a todo o momento, há encantadores de serpentes, macacos que sobem para os nossos ombros para tirarmos uma foto, há tatuadoras de hena, há os famosos contadores de histórias, que numa espécie de performance relatam contos e vivências de outras paragens. O ambiente de Jemaa el-Fna é quase difícil de descrever, só mesmo vivendo.

. Museu Yves Saint Laurent e o Jardim Majorelle O Museu YSL é um marco da arquitetura da cidade e carregado de simbolismo já que traduz e conta toda a paixão de Yves Saint Laurent por Marraquexe, cidade que o designer de moda descobriu em 1966 e que teve grande influência no seu trabalho e na utilização da cor e texturas nas suas coleções. Era aqui que todos os anos se fechava e inspirava para desenhar a coleção de alta-costura da Casa Francesa. Mesmo ao lado o Jardim Majorelle é uma visita obrigatória, um jardim botânico inspirado nos jardins islâmicos e onde também funciona um museu da cultura berbere. Ocupa cerca de um hectare e alberga cerca de 3 mil espécies. Fundado pelo pintor francês Jacques Majorelle foi comprado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em 1980. É aqui que se descobre o famoso "azul Majorelle” criado pelo artista em 1937, um azul-cobalto simultaneamente intenso e claro, com que ele pinta as paredes da vivenda, e depois todo o jardim, criando um quadro vivo que abre ao público em 1947.

. Medina e Souk - Considerado património da humanidade pela UNESCO, a Medina de Marraquexe é o reflexo da cultura local, com as suas praças, monumentos e ruas. Um labirinto de ruas que fervilham de pessoas que caminham em todos os sentidos e repletas de pequenas lojas onde se vende um pouco de tudo. Souk é a palavra árabe para os tradicionais mercados onde se vendem todas as especiarias, produtos em pele, tapetes e outros têxteis e até joalharia. Conte com umas boas horas para percorrer este labirinto e aperfeiçoar a arte de negociar cada produto que queira trazer como recordação.

ONDE COMER:

Marraquexe é um dos mais importantes destinos turísticos de Marrocos e por isso não faltam restaurantes com o melhor da gastronomia do país. Graças à fusão da culinária de culturas como a árabe, berbere e até mesmo a francesa, a comida é cheia de sabores exóticos e a maioria dos pratos tem especiarias como noz-moscada, canela, cominho, gengibre ou açafrão, usados para temperar carnes ou peixes e que deixam os pratos saborosos, cheirosos e coloridos. Entre os pratos obrigatórios está a Tagine, o Cuscuz marroquino, Cordeiro com Ameixas e um chá de menta. Confesso que prefiro as variações mais contemporâneas e acabo sempre em dois dos meus rooftops preferidos de Marraquexe: o Nomad e o Cafe Des Epices. Ambos no meio da Medina, servem desde pequenos-almoços a jantares, e para uma vegetariana como eu, há toda uma variedade de saladas com produtos locais frescos e o tradicional hummus. Tão famosos quanto o lugar são os chapéus de palha bordados com os nomes dos restaurantes, que os turistas podem usar livremente para se protegerem do sol. Para uma noite mais extravagante (ou mais animada) o famoso Comptoir Darna contínua a ser uma boa opção, onde se jantar, se dança e até se pode assistir a um espetáculo de dança do ventre.

ONDE FICAR

São muitas as opções em Marraquexe e praticamente para todos os orçamentos. A cidade tem dos mais luxuosos hotéis do mundo como o La Mamounia, mas também tradicionais Riads dentro da própria Medina onde os valores por noite são mais acessíveis. No meu caso, desta vez, decidi jogar em casa e optei pelo novo Pestana CR7 Marraquexe. Localizado na M Avenue é uma espécie de oásis sofisticado na atmosfera exótica da cidade. Perto do aeroporto e a uma curta distância do centro histórico, tem uma atmosfera inspirada nos costumes marroquinos, uma piscina que me salvou nos dias mais quentes e com vista para as montanhas do Atlas. Já a experiência gastronómica apresenta os sabores portugueses com um twist marroquino. Depois de um dia agitado de compras e passeios no Souk, é um lugar ideal para relaxar e recuperar energia para mais um dia preenchido na cidade.

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