Santo António no Museu da Cidade
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Vá ao Santo António, mas sem multidões

Se é daquelas pessoas que até gosta dos Santos Populares, mas já foge a sete pés de Lisboa nesta altura do ano, este texto é para si. Vá festejar ao Museu de Santo António e conheça tudo por dentro.

A Festas Populares estão aí, a cidade engalanada, as minis já estalam de frescas e as sardinhas salgam para a grelha, mas se andar pelas ruas a cantarolar música brejeira é divertido, não o é menos olhar para os Santos de uma maneira nova e diferente. E não só se escapa à massa febril de festeiros e de turistas bebidos, como também dá para levar a família toda.

O Museu da Cidade, principalmente o encantador Museu do Santo António, é obrigatório para quem gosta de saber tudo, em particular sobre a história do padroeiro de Lisboa. Aconselha-se a visitar com calma o espólio do museu, e conhecer as tradições associadas às suas celebrações que este pequeno espaço de exposições explica exemplarmente. Mas ele tem as suas próprias celebrações das Festas de Lisboa

Fica mesmo encostado à Sé de Lisboa, precisamente onde Fernando de Bulhões nasceu numa família burguesa. Esse que viria a chamar-se António pela igreja católica, e embora fosse um dos seus mais cultos oradores, foi apropriado pela cultura popular. Por isso, se Francisco de Assis é venerado, Santo António de Lisboa (e depois de Pádua, onde viria a falecer) é uma espécie de amigo e confidente dos lisboetas. Ele abençoa casamentos, ele reconcilia desavindos e encontra objetos perdidos, ele está connosco nas desgraças e a festejar no mês mais abundante do ano.Santo António é o mais amado santo de todos e derrubou do pedestal o seu original protector da cidade de Lisboa, São Vicente.

Além das visitas guiadas, também pelos lugares onde o santo nasceu e andou como jovem frade, pode participar nas suas oficinas que ensinam a construir um arco enfeitado, um trono, um manjerico ou a escrever uma quadra. Logo à porta do museu, vai ficar maravilhado com o painel de flores dedicado a Santo António que enche de primavera o Largo de seu nome, uma criação da artista Susana Barros.

O museu organiza também um percurso onde se conhece a preparação das festas de Santo António, em particular as Marchas Populares, fundamentais para a cultura de bairro que edificou Lisboa e que a torna tão única. Apesar da gentrificação que, sem piedade. atira os lisboetas para fora da sua própria cidade, eles vêm dos arredores e, resistentes, ensaiam durante meses as marchas do bairro onde nasceram. Assim, o museu leva-nos a conhecer algumas coletividades do lado ocidental da cidade, na Bica e no Bairro Alto.

Também há fados e concertos, leituras de crónicas e textos de vários autores, dedicados a Santo António, de António Lobo Antunes a Sophia de Mello Breyner, de Fernando Pessoa a António Mega Ferreira, a José Jorge Letria e Mia Couto, entre tantos outros. E serão lidos textos de narrativas populares e tradição oral sobre este santo mais querido de todos. A prova-lo, estão os tronos de Santo António que miúdos e graúdos preparam todos os anos e espalham por toda a cidade, à porta de casa, nos estabelecimentos comerciais e onde calha, durante este mês de junho, uma delícia.

Museu de Santo António, Largo de Santo António da Sé, 22, 1100-499 Lisboa

De terça a domingo, das 10.00 às 18.00

Bilhete para o museu €3,00 (há descontos para jovens e idosos)

Bilhete único €6,00 (Palácio Pimenta + Santo António + Teatro Romano + Casa dos Bicos, válido durante dois meses)

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