Exposição KUMARI NAYIKA, patente no Palácio Duques de Cadaval
Exposição KUMARI NAYIKA, patente no Palácio Duques de Cadaval
Design e Artes

Do Rajasdão para Évora, a escola que está a mudar o destino de centenas de raparigas

Uma história improvável e solidária que liga o Alentejo ao deserto do Rajastão está agora à vista de todos os portugueses. Uma exposição em Évora até 17 de maio.

Entre o silêncio dourado do Deserto de Thar, também conhecido como o Grande Deserto Indiano, e as muralhas históricas de Évora, há uma ponte improvável que liga duas realidades distintas. No centro dessa ligação está uma escola que, longe dos grandes centros urbanos, está a mudar o destino de centenas de raparigas.

Chama-se Rajkumari Ratnavati Girls School e ergue-se no estado do Rajastão onde, durante gerações, a educação feminina foi um privilégio raro. Ali, muitas meninas crescem abaixo do limiar da pobreza, com horizontes tradicionalmente limitados ao espaço doméstico. Mas, dentro da nova escola, desenha-se outro futuro.

A Rajkumari Ratnavati Girls School nasceu da iniciativa da CITTA Foundation e do seu fundador, Michael Daube, como resposta a uma necessidade urgente: garantir acesso à educação, mas também dignidade e autonomia. Mais do que salas de aula, oferece um espaço seguro onde aprender é também imaginar e questionar o mundo.

Foi precisamente essa capacidade de imaginar que captou a atenção da artista francesa Hélène Guétary. Em dezembro de 2023, durante uma residência artística na escola, Hélène propôs algo simples, mas transformador: ouvir.

Ao longo de duas semanas, trabalhou com 16 alunas na criação de um conto coletivo, e dessa colaboração nasceu “Princess Rimjhim”, uma figura simbólica “nascida do Sol e do Rio”, que habita um mundo onde a escassez convive com o sonho. À sua volta, surgem personagens como Chetan, o pastor de borboletas, ou Indumati, a maga, criações que misturam tradição local, imaginação infantil e uma inesperada consciência ambiental. Mais do que ficção, este universo funciona como espelho: reflete os desafios reais destas meninas, mas também a sua capacidade de os reinventar.

Mas o resultado não ficou confinado ao deserto. Chegou a Portugal sob a forma da exposição KUMARI NAYIKA, patente no Palácio Duques de Cadaval, em Évora, até 17 de maio. Em cada imagem as meninas não são apenas fotografadas, mas reconhecidas na sua identidade e potencial. Tal como mostramos na galeria de imagens. 

Como sublinha Alexandra de Cadaval, “não é apenas arte: é a prova de que a imaginação pode agir como força social, que a criatividade pode mudar mentalidades, e que quando se abre uma porta a uma criança, abre-se também uma janela para uma comunidade inteira”.

Em paralelo, a exposição transforma-se também num programa educativo em Évora, que se estende de 14 de março a 17 de maio, envolvendo escolas, famílias e associações locais. Oficinas, conversas e leituras prolongam o diálogo iniciado no Rajastão, criando um raro espaço de encontro entre realidades distantes, mas surpreendentemente próximas.

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