Qual a realidade das "favelas" em Portugal | Fotografia: Unsplash
Qual a realidade das "favelas" em Portugal | Fotografia: Unsplash
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Fica a lição para o mercado imobiliário em Lisboa sobre as "favelas" na Europa

Terá Lisboa as chamadas "favelas" europeias? Aqui a realidade é bem diferente e a lição fica dada.

Se já sabíamos que em Portugal é difícil encontrar casa a preços razoáveis, basta olhar lá para fora para perceber que o contraste pode ser desconcertante. E não estamos a falar de bairros de luxo. Falamos das chamadas “favelas”, uma expressão irónica que circula nas redes sociais para descrever zonas operárias em cidades europeias, como Basileia, na Suíça. 

A ironia é evidente: aquilo a que alguns chamam “favela” está, na prática, a anos-luz da realidade latino-americana.

Em bairros como Klybeck, uma das zonas mais densamente povoadas de Basileia, não encontramos chalés alpinos nem fachadas históricas imponentes. Os prédios são simples, funcionais, pensados para maximizar eficiência energética e conforto térmico. A estética pode ser modesta, mas o essencial está garantido: aquecimento eficiente, isolamento de qualidade e acesso universal a serviços públicos. 

Agora compare-se com Lisboa, onde o preço por metro quadrado continua entre os mais elevados da Europa face ao poder de compra nacional. Por cá, no centro ou na periferia, pagar valores elevados não garante qualidade na habitação, sendo que falamos de isolamento térmico eficaz, eficiência energética ou boa insonorização. 

Mas a pergunta impõe-se: no contexto europeu haverá outras "favelas" com as condições da Suíça ou serão como em Portugal?

Em países da Europa Central e do Norte, mesmo os bairros mais densos ou mais acessíveis tendem a garantir padrões mínimos muito elevados. Pode não haver luxo, mas há funcionalidade, conforto e serviços públicos robustos.

Veja-se o caso de Viena, onde grande parte da população vive em habitação municipal ou cooperativa. São zonas populares, mas com qualidade de construção e forte integração urbana. Já em Amesterdão, apesar da pressão imobiliária recente, a verdade é que a densidade não implica degradação.

Quanto ao Sul da Europa, o cenário aproxima-se mais do português. Em Atenas encontramos zonas periféricas onde os preços subiram significativamente, mas a qualidade da construção, sobretudo em edifícios das décadas de 70 e 80, nem sempre acompanha, sendo comuns problemas de isolamento térmico e eficiência energética.

Em suma, não, a Europa não tem “favelas” no sentido latino-americano do termo. O que varia é o patamar mínimo de qualidade. No Norte e Centro da Europa, esse patamar é elevado, já no Sul, incluindo Portugal, a diferença entre preço e qualidade é mais visível.

A lição para Portugal

Em Portugal, o debate sobre habitação centra-se muitas vezes no preço, e com razão. Mas talvez devêssemos falar mais sobre qualidade estrutural, eficiência energética e planeamento urbano.

Porque se as “favelas” noutras partes da Europa conseguem oferecer conforto, segurança e serviços de excelência a preços proporcionais aos salários, talvez o verdadeiro problema não seja apenas o custo das casas em Lisboa, mas o que, de facto, estamos a desfrutar por ele.

Mostramos na galeria de imagens a chamada "favela" portuguesa em Lisboa.

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