Se para os tutores as férias são sinónimo de descanso, relaxamento, novidades e imprevisibilidade, para os animais, as mudanças inerentes a este período contribuem para um desequilíbrio emocional que se manifesta em ansiedade, medo, stress, agitação, problemas de sono e alterações de apetite.
Porquê? Porque os animais, sobretudo os cães e gatos, gostam de rotina. Sentem-se mais seguros quando o ambiente que os rodeia é previsível e organizado. Ou seja, quando existem regras definidas e cumpridas por todos os membros da família e quando existem horários para comer, passear, brincar e ainda descansar.
Esta previsibilidade ajuda a reduzir os níveis de stress e ansiedade, permite-lhes autoregular o organismo, e previne comportamentos destrutivos, que são, muitas vezes, reflexo de medos e inseguranças.
Não nos podemos esquecer que o nosso mundo, os nossos horários e hábitos não são naturais para os cães e gatos, por isso, é fundamental que os tutores conheçam as necessidades dos seus animais, aprendam a reconhecer os sinais e saibam como agir para evitar situações de stress e/ou atenuar os sintomas já existentes.
Estudos comprovam que os animais estão cada vez mais ansiosos e as férias são um dos períodos que mais contribui para estes dados. E porquê? Porque os animais mudam de ambiente, ficam em hotéis para animais, passam mais tempo sozinhos, passam por viagens de carro mais frequentes, têm de se adaptar às novas rotinas dos tutores e estão expostos a mais desconhecidos, agitação e barulhos fortes.
Quando confrontados com estas situações, é frequente assistir a mudanças comportamentais que são facilmente confundíveis com teimosia e desobediência, pelo que os tutores tendem a desvalorizar.
Se o seu cão começar a choramingar ou ladrar em excesso, começar a mordiscar ou destruir objetos, ainda faz ou voltou a fazer as necessidades dentro de casa, está mais inquieto ou demonstra falta de interação, maior agressividade, ou perda de apetite...
Ou se seu o gato anda a esconder-se mais que o habitual, parou de usar a caixa de areia, está mais agressivo, demonstra excesso ou falta de higiene ou perdeu o apetite…
Estes são sinais aos quais deve estar atento. E ao saber interpretar estes sinais pode agir de modo a prevenir ou ajudar a acalmar os sintomas que já são visíveis, de modo a devolver-lhes o bem-estar que necessitam, e também mais tranquilidade nas mudanças que se adivinham.
E são tão simples. Para os mais ansiosos...
– Aposte no enriquecimento ambiental, através de brinquedos interativos e estímulos mentais, que contribuem para manter o animal ocupado e reduzir o stress;
– Reforce a rotina de exercício físico regular, especialmente antes de períodos de ausência;
– Recorra a produtos naturais que atuam no ambiente, à base de valeriana e vetivere, que existem em formato de ambientador ou spray, que atuam no ambiente ou que podem ser pulverizados na cama, num lenço, ou nos brinquedos. Estes produtos atuam suavemente sobre o sistema nervoso, ajudando a reduzir o stress, a ansiedade e o medo, sem sedar.
Se o animal não é habitualmente ansioso, existem estratégias preventivas que o vão ajudar a manter a sua habitual calma, como:
– Manter rotinas consistentes de alimentação e passeios;
– Adaptar o animal gradualmente à ausência, ao sair por períodos curtos e aumentar aos poucos;
– Familiarizar o mesmo com o transportador;
– Deixar objetos com cheiro do tutor, como mantas ou roupa durante as ausências;
– Fazer previamente viagens curtas de carro para ambientação.
Com a respetiva preparação e conhecimento adequado, as férias não têm de ser fonte de stress. Podem ser um momento agradável e prazeroso para todos os membros da família.
