Fernando Daniel construiu o seu nome na música portuguesa com uma ascensão marcada pela participação no programa The Voice Portugal, da RTP1, onde chegou à fase final. Depois disso, o cantor consolidou uma carreira que rapidamente o levou das baladas intimistas para os grandes palcos nacionais.
Mas não é sobre a carreira de Fernando Daniel que vamos falar. É sobre o passo que acaba de dar.
O artista acaba de inaugurar o complexo Nagana, em Ovar, fruto de um investimento de cerca de dois milhões de euros que financia um projeto que mistura estúdios de música, formação artística e uma componente social e que começou a ser desenhado ainda durante a pandemia da COVID-19, em 2020, avança a agência Lusa.
O que pode ter escapado a alguns nesta notícia é o facto de o Nagana estar instalado no edifício da antiga discoteca Pildrinha, junto à Praia do Furadouro, e ocupa cerca de 1.000 metros quadrados. Curioso, ou não estivéssemos a falar sobre música. O espaço foi totalmente requalificado para dar lugar ao complexo, que inclui três salas de aula, duas régies, uma sala de ensaios, um estúdio de captação, uma vocal booth, estúdio de vídeo, ciclorama, biblioteca de som, bar interno e lounge empresarial.
O projeto inclui ainda um museu dedicado ao percurso de Fernando Daniel – visitável sob marcação – e uma loja associada à marca do artista.
Mais do que para si, este é um projeto para a comunidade, estando presente uma forte componente social. Estão previstas bolsas de estudo (dez asseguradas diretamente pelo cantor) destinadas a crianças, jovens e adultos sem capacidade financeira para pagar formação musical e a estas juntam-se outros apoios viabilizados em parceria com cerca de 15 empresas que contribuíram com materiais e serviços para reduzir os custos da obra.
O artista compromete-se também com o acompanhamento dos alunos, assumindo o pagamento de professores para os bolseiros e a cedência de instrumentos em regime de empréstimo.
O nome “Nagana” nasce de uma expressão popularizada pelo próprio cantor, “um dia deu-me na gana”, que remete para vontade, impulso e determinação, conceitos que o artista considera centrais na sua trajetória e que agora associa ao novo projeto.
E porquê em Ovar? Porque é a cidade onde vive e trabalha e onde lhe fez sentido transformar um espaço abandonado num complexo artístico de grande escala, investindo assim na sua carreira e no ecossistema cultural da região.
