Estamos a viver num momento em que a proteína é a protagonista em todos os supermercados. Está nos iogurtes, nas barritas, nas granolas e até no pão. No entanto, aos poucos, a ciência começa a revelar um outro aliado poderoso do nosso corpo: a fibra.
Mas porquê falar de fibra agora? Tudo se deve ao novo relatório da Fundação Aurora Intelligent Nutrition (AIN), no qual a agência de tendências Mintel mostra que a fibra é essencial para manter o equilíbrio metabolicamente saudável, tendo benefícios que vão muito além do trânsito intestinal. A saúde mental é um deles.
Em países como Espanha – e Portugal segue padrão semelhante – a ingestão diária ronda os 18 gramas, muito aquém dos 25–35 grama recomendados.
Investigadores e empresas de vanguarda, como a Aurora Intelligent Nutrition (AIN), mostram então que não basta “comer mais legumes”, a revolução está nas fibras solúveis fermentáveis de nova geração, como a inulina ou os amidos resistentes, capazes de estimular a microbiota e desencadear uma cascata de benefícios, desde a saciedade, que ajuda na perda de peso, à regulação do açúcar no sangue. E não só.
No que toca à saúde mental, o relatório demonstra que determinados tipos de fibra nutrem bactérias específicas que, por sua vez, modulam neurotransmissores e influenciam vias neuroendócrinas ligadas ao humor. De forma consistente, vários estudos associam maior ingestão de fibra a: menor risco de sintomas depressivos; maior estabilidade emocional; melhor clareza mental; uma microbiota mais diversa, um dos indicadores mais sólidos de saúde global.
Tal como aconteceu com a proteína, a tendência do fibermaxxing, isto é, consumir grandes quantidades de fibra de qualquer tipo, tornou-se viral, mas os especialistas da AIN alertam: o futuro não é “mais fibra”, é “a fibra certa”.
Eis alguns exemplos.
– Inulina e oligofructosa: para aumentar saciedade; melhorar o controlo glucémico; maior estabilidade glicémica; exemplo de fonte: raiz de chicória, com cerca de 35–47 g de inulina e 20–26 g de oligofrutose por 100g.
– PHGG (Partially Hydrolyzed Guar Gum): para quem tem maior sensibilidade digestiva; para reduzir inflamação; tolerância gastrointestinal elevada; exemplo de fonte: suplemento alimentar em pó, uma vez que o PHGG não está presente naturalmente em alimentos;
– GOS (galacto-oligossacáridos) e fibras psicobióticas: para suporte emocional; modular o eixo intestino-cérebro; melhorar humor e clareza mental; exemplo de fonte: leite (e lácteos como iogurte) ou leguminosas (como lentilhas, grão-de-bico ou ervilhas).
Estamos, assim, perante um novo capítulo da nutrição funcional, em que a fibra deixa de ser ingrediente secundário e passa a ser tão ou mais importante do que a proteína.
