Há um fenómeno curioso que se repete todos os anos: quando chega a Páscoa, fala-se muito mais de folar doce do que de folar salgado. E não é para menos quando há tantas surpresas boas, como o Folar de Coco Crocante da marca Continente ou outros mais tradicionais que se mantêm fiéis à canela, açúcar e à massa fofa.
No entanto, a Páscoa não se faz só de folares doces. Os folares salgados também têm lugar à mesa, e é em Bragança que se encontra melhor, mais precisamente na Casa do Pão de Bragança. Este folar salgado transmontano foi reconhecido com ouro no XII Concurso ACIP – “O Melhor Folar e Pão de Ló de Portugal”, num universo de mais de duas dezenas de concorrentes.
À frente da casa está, há 10 anos, Bruno Lopes, que viu o seu folar destronar até referências históricas como o de Valpaços, após provas cegas que avaliaram qualidade, sabor e autenticidade. Neste destacam-se os ingredientes de máxima qualidade, entre eles os ovos, as farinhas e as gorduras (azeite 100% transmontano, margarina, manteiga), assim como o fermento de padeiro e o fumeiro local. E há ainda mais dois segredos, que Bruno não revela, mas que, certamente, ditaram o prémio.
A receita é de outros tempos, foi herdada da bisavó de Bruno, que por sua vez foi passada à sua avó e depois à mãe antes de chegar às suas mãos. "Peguei na receita, aprimorei-a e dei um toque meu", revela Bruno Lopes à SIC.
Mais do que um prémio individual, esta distinção afirma a tradição transmontana. O próprio responsável sublinha que o segredo está na dedicação e no respeito pelo produto, mantendo a qualidade acima de qualquer lógica de produção em massa. Algo fundamental num tempo em que as prateleiras se enchem de versões industriais e uniformizadas.
