Fotografia: reprodução do filme "O Diário da Princesa"
Fotografia: reprodução do filme "O Diário da Princesa"
Nécessaire

Quando o prazer comanda o apetite, podes sofrer de fome hedónica

O que é, afinal, a fome hedónica? Um artigo educativo por Beatriz Vieira, Coordenadora da Unidade da Nutrição Clínica do Hospital Lusíadas Amadora.

Drª Beatriz Vieira | Fotografia: D.R.

Já te apercebeste de que, por vezes, comes não porque tens fome, mas apenas porque te apetece? Isto pode acontecer em momentos de ansiedade, stress ou simplesmente por teres disponível alimentos com elevada palatabilidade – aqueles que despertam, de imediato, a vontade de comer.

O que é, afinal, a fome hedónica?

A fome hedónica não surge da necessidade fisiológica de obter energia, mas sim do desejo de comer por prazer. Está frequentemente associada a alimentos altamente palatáveis – geralmente ricos em açúcar, gordura ou sal – que ativam os centros de recompensa do cérebro. Esses alimentos desencadeiam uma resposta de prazer que nos leva a comer apenas porque… sabe bem.

O impacto das emoções e do ambiente

Vivemos num ambiente onde é fácil aceder a alimentos com elevada palatabilidade – bolachas na gaveta, snacks em cada esquina, entregas em minutos. Esta disponibilidade constante aumenta a probabilidade de comermos por impulso.

Além disso, o nosso estado emocional influencia significativamente este comportamento. Emoções como ansiedade, tristeza ou cansaço podem levar-nos a procurar conforto na alimentação – que, ainda que de forma temporária, pode funcionar como um mecanismo de regulação emocional.

Vários estudos demonstram uma associação entre a fome emocional e sintomas como stress, ansiedade e depressão, sendo a alimentação, em muitos casos, uma resposta automática ao mal-estar psicológico.

Cultura, convívio e hábitos sociais

Comer por prazer também está enraizado no contexto cultural e social. Refeições em família, festas, jantares com amigos – são momentos de convívio quase sempre centrados no convívio à volta da mesa. Nestes contextos, mesmo sem fome, é habitual “caber sempre mais um docinho”, reforçando a ideia de que a alimentação está muitas vezes mais ligada ao momento do que à necessidade.

Quais as consequências?

Se este tipo de alimentação por prazer for frequente, pode contribuir para o ganho de peso e aumentar o risco de doenças metabólicas como a obesidade e a diabetes tipo 2. Em alguns casos, pode evoluir para perturbações do comportamento alimentar como a compulsão alimentar – quando se perde o controlo sobre o que e quanto se come.

Estratégias para lidar com a fome hedónica

Embora inevitável em certos momentos, a fome hedónica pode ser gerida com algumas estratégias práticas:

– Planeia as refeições com antecedência: ajuda-te a evitar escolhas impulsivas;

– Identifica os gatilhos emocionais: reconhece o que te leva a comer sem fome;

– Faz exercício físico regularmente: melhora o bem-estar emocional e reduz o stress;

– Come com atenção: evita distrações como o telemóvel ou a televisão durante as refeições;

– Procura apoio profissional: um nutricionista ajuda-te a desenvolver ferramentas para gerir melhor estas situações.

Em resumo…

A fome hedónica é normal – todos a sentimos de vez em quando. O importante não é eliminá-la, mas reconhecê-la e aprender a geri-la. Comer por prazer faz parte de uma relação saudável com a alimentação – desde que esse prazer não substitua, constantemente, outras formas de lidar com as emoções. Estar consciente do que nos leva a comer é o primeiro passo para uma relação mais equilibrada com a alimentação.

Coolhunting

Dos casacos aos sapatos, dizemos-te como entrar oficialmente neste outono

É altura de começar a dizer olá ao outono. Afinal, faltam poucos dias e, da Zara à Gucci, está tudo a postos.

Nécessaire