Uma fotografia é muito mais poderosa do que podemos imaginar. Um retrato pode contar histórias, revelar contextos sociais e aproximar realidades aparentemente distantes. Por isso mesmo, muitos fotógrafos têm usado a câmara como uma ferramenta para compreender o mundo e aproximar culturas, como é o caso do italiano Gabriele Galimberti.
Nascido em 1977, na região da Toscana, em Itália, Gabriele Galimberti construiu uma carreira centrada na fotografia documental, dedicando-se a projetos de longo prazo que procuram retratar pessoas e as suas histórias em diferentes partes do mundo. Ao longo dos anos, colaborou com publicações internacionais como National Geographic, Le Monde ou The Sunday Times, e viu o seu trabalho exposto em festivais e museus de referência, como o Victoria & Albert Museum, em Londres.
Entre os seus projetos mais conhecidos está "Toy Stories", uma série fotográfica que começou no início da década de 2010 e que continua a crescer à medida que o fotógrafo viaja pelo mundo. A ideia é simples: fotografar crianças de diferentes países rodeadas pelos seus brinquedos favoritos.
Em cada fotografia do projeto, uma criança aparece no centro da imagem, normalmente no seu quarto ou num espaço familiar, rodeada pelos brinquedos que considera mais importantes. Alguns têm verdadeiras coleções – carrinhos, bonecas, soldados de plástico ou dinossauros –, outros possuem apenas um único objeto, como um peluche ou um brinquedo improvisado. Ainda assim, a expressão de orgulho é praticamente universal.
Do Texas à Índia, do Malawi à China, passando por Marrocos ou pelas ilhas Fiji, o fotógrafo já passou por mais de 50 países. Eis uma das fotografias mais recentes que partilhou, do pequeno Aqissiaq, de 6 anos, em Ilulissat, na Gronelândia.
Um projeto que nasceu quase por acaso
A ideia para "Toy Stories" surgiu de forma inesperada. Durante uma visita à casa de amigos na Toscânia, Galimberti fotografava a filha do casal, Alessia. A certa altura, pediu-lhe que colocasse todos os seus brinquedos no chão e que posasse ao lado deles. O resultado despertou no fotógrafo uma pergunta simples: e se fosse possível repetir aquele retrato com crianças de todo o mundo?
A partir desse momento, o projeto transformou-se global. Durante meses, e depois anos, Galimberti percorreu vários países, passando frequentemente um dia inteiro com cada família antes de fazer a fotografia final. O processo podia demorar apenas alguns minutos ou várias horas, dependendo da quantidade de brinquedos que precisavam de ser organizados.
Mais do que simples objetos, os brinquedos revelam pistas sobre o ambiente em que cada criança cresce. Em zonas rurais, por exemplo, surgem frequentemente brinquedos improvisados ou ligados ao quotidiano local. Em contextos urbanos ou mais prósperos, aparecem coleções maiores e mais variadas.
Num dos retratos, um rapaz mexicano apresenta orgulhosamente vários camiões de brincar, semelhantes aos que o fotógrafo tinha visto a circular numa plantação de cana-de-açúcar próxima da sua casa.
As imagens são frequentemente apresentadas com informações mínimas, apenas o nome da criança, a idade e o local onde vive. O objetivo é deixar que os próprios objetos e expressões contem a história. História essa que já foi transformada em livro e tem uma exposição internacional.
Mostramos os brinquedos de crianças de todas as partes do mundo na galeria de imagens.
