Beatriz Ryder, vencedora do World Sports Photography Awards | Fotografia: Matt Dunbar
Beatriz Ryder, vencedora do World Sports Photography Awards | Fotografia: Matt Dunbar
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Fotografar no mar é um desafio que a portuguesa Beatriz Ryder conhece bem... e foi premiada por isso

O World Sports Photography Awards é um dos mais prestigiados galardões internacionais dedicados à fotografia desportiva no qual a portuguesa Beatriz Ryder se destacou. A VERSA foi saber mais sobre o percurso da fotógrafa.

A fotógrafa portuguesa Beatriz Ryder foi distinguida com um dos mais prestigiados galardões internacionais dedicados à fotografia desportiva: os World Sports Photography Awards. A imagem vencedora, a que vês acima em primeiro lugar na galeria de imagens, foi captada no meio do oceano durante uma viagem de surf num dos locais mais remotos do mundo e destacou-se entre 23.100 fotografias submetidas por 4.100 fotógrafos de vários países. O reconhecimento internacional confirma o percurso consistente de Beatriz no universo da fotografia de surf, onde tem vindo a afirmar-se ao lado de atletas de elite e grandes marcas do setor.

Atualmente a trabalhar com a World Surf League e a colaborar com marcas como Rip Curl, Roxy ou Billabong, a fotógrafa portuguesa tem construído uma carreira marcada pela intensidade do mar, pela proximidade aos surfistas e pela capacidade de transformar momentos fugazes em imagens memoráveis.

Em entrevista à VERSA, Beatriz Ryder fala sobre o significado do prémio, os desafios de fotografar dentro de água e o caminho que a levou até este reconhecimento internacional.

Qual o significado do prémio World Sports Photography Awards?

O World Sports Photography Awards é um dos mais prestigiados prémios internacionais dedicados exclusivamente à fotografia desportiva. Distingue, anualmente, os melhores fotógrafos e imagens do mundo na área do desporto, avaliando não apenas a excelência técnica, mas também a capacidade de contar histórias, capturar emoção e representar o verdadeiro espírito competitivo.
 
Ser selecionada neste prémio representa um reconhecimento de elevado nível dentro da indústria. A minha imagem ter sido escolhida entre 23.100 imagens submetidas por 4.100 fotógrafos de todo o mundo reforça significativamente a minha credibilidade profissional e a minha visibilidade internacional.

Como planeaste a construção da fotografia vencedora? Ou foi algo espontâneo?

Esta foi a minha primeira search trip a fotografar com a Rip Curl, uma aventura só de raparigas num dos cantos mais remotos do mundo. Estávamos a viver uma experiência verdadeiramente impressionante, ao ponto de, por vezes, sermos as primeiras pessoas brancas que alguns dos locais alguma vez tinham visto. As ondas nem sempre colaboraram e alguns dias de chuva deixaram a água um pouco turva, mas a energia manteve-se sempre em alta. 
 
Este foi um dos últimos surfes da viagem e, de alguma forma, contra todas as probabilidades, o universo ofereceu-nos este momento mágico. Sempre que olho para esta fotografia, sou imediatamente transportada de volta, a emoção de ver a imagem na câmara, os risos nervosos por causa dos crocodilos de água salgada, tudo isso. 

Quais os desafios para conseguir a fotografia perfeita? 

Um dos maiores desafios para conseguir a fotografia perfeita, especialmente na fotografia dentro de água, é a imprevisibilidade da natureza, do mar em particular. O oceano está em constante mudança: correntes, ondulação, vento e visibilidade podem alterar-se em segundos, obrigando a uma adaptação contínua.
 
Fotografar dentro de água exige um elevado nível técnico e físico. Não depende apenas da minha capacidade de dominar a câmara em ambiente aquático, mas também do controlo físico necessário para nadar com o equipamento num meio exigente e imprevisível. É preciso navegar correntes, posicionar-me corretamente no pico da onda e alinhar de forma precisa com o surfista, antecipando o momento certo.
 
Além disso, a minha câmara de água pesa cerca de 4 a 5 kg, o que torna o esforço físico ainda mais significativo, especialmente em condições de mar mais forte.
 
No fundo, cada imagem é o resultado de preparação, resistência e da capacidade de ler o oceano no momento certo.

Qual o teu percurso até chegar ao prémio World Sports Photography Awards?

O meu percurso até ao World Sports Photography Awards foi construído de forma consistente dentro do universo do surf e da fotografia desportiva.
 
Atualmente trabalho como fotógrafa para a World Surf League desde 2022, onde fotografo competições internacionais em contextos de elevada exigência técnica, desde ambientes dentro de água a condições extremas e eventos ao vivo. 
 
Paralelamente, trabalho na equipa criativa da McTavish Surfboards, onde lidero campanhas visuais para uma marca australiana de referência, desenvolvendo conceitos criativos, narrativa visual e produção fotográfica para e-commerce e marketing.
 
Também fotógrafa freelance, colaboro com marcas internacionais como Rip Curl, Roxy, Billabong e outras, produzindo campanhas globais e trabalhando diretamente com atletas profissionais.
 
Em 2024, fui também selecionada como fotógrafa oficial da parte de surf dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, no Tahiti, uma das experiências mais marcantes da minha carreira.

O que se segue? Que prémios queres alcançar e que trabalhos tens em mente? 

O que se segue passa, acima de tudo, por continuar a evoluir de forma consistente dentro da fotografia desportiva. Quero continuar a progredir no mundo do surf, aprofundando a minha presença em contextos de alto rendimento. Acompanhar o circuito mundial de surf é, para mim, um grande sonho, e espero poder continuar a fazê-lo nos próximos anos.
 
Ao mesmo tempo, tenho como objetivo expandir o meu trabalho para outras modalidades desportivas.
 
Mais do que focar-me apenas em prémios específicos, quero continuar a superar a minha própria versão, elevando constantemente o meu nível técnico e criativo. Naturalmente, ambiciono continuar a ver o meu trabalho reconhecido internacionalmente e trabalhar com clientes de sonho com quem ainda não tive oportunidade de colaborar.
 
Adorava também poder colaborar com mais marcas portuguesas que apesar de estar a viver do outro lado do mundo atualmente, gostava de ter mais presença no meu país.

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