A competição pela melhor francesinha é intensa e varia de gosto para gosto. Há quem prefira as mais tradicionais, quem não abdique do molho doce típico de Braga, quem procure versões mais modernas. São tantas as opções que se torna quase impossível escolher um vencedor. Mas há casas que não ganham apenas pelo prato, ganham pela experiência. Porque uma francesinha não sabe só a pão, molho e enchidos. Às vezes, sabe a fim de noite, a copos a mais e àquela fome teimosa que aparece quando tudo na cidade já fechou. É exatamente aí que entra o restaurante de que falamos hoje.
Entre os nomes incontornáveis quando se fala de refeições fora de horas no Porto está o Pajú, um espaço com mais de quatro décadas de história que conquistou estatuto quase mítico na cidade. Conhecido pelo ambiente descontraído e pelo balcão sempre pronto a receber clientes, tornou-se paragem obrigatória para quem procura comida reconfortante depois do horário habitual dos restaurantes.
Foi o caso do Tascólogo, criador de conteúdos que “estuda tascos, receitas e tradições”. Com mais de 90 mil seguidores no TikTok, 221 mil no Instagram e 87 mil no Facebook, recordou-nos o espaço onde a francesinha nasce na cozinha, mas ganha forma final no balcão, à frente de quem espera.
“Molho tradicional, com sabor muito próprio, chamemos-lhe personalidade, bem recheada com enchidos, batata frita caseira como tem de ser", conta.
Ao longo dos anos, o Pajú ganhou fama sobretudo pos esta francesinha, preparada com um molho de sabor marcante porque, sim, a confeção mantém-se fiel à tradição da casa, ou seja, com recheio generoso.
Mas a oferta vai além do prato mais emblemático. No menu há também clássicos como pataniscas, bacalhau, pica-pau, moelas, entre tantos outros pratos e petiscos típicos, reforçando o espírito informal e acolhedor que define o espaço. Aberto quando muitos outros já fecharam portas, o Pajú continua a ser um dos refúgios gastronómicos mais conhecidos da Invicta para quem chega com fome — e sem pressa de sair.
E não é só nas redes sociais que o Pajú se impõe. No Tripadvisor, uma review destaca-se não tanto pela nota, mas pela forma como traduz aquilo que ali se vive: “Falar da francesinha nesta casa é fazer um desfavor à experiência. A casa é uma casa tradicional, de paredes em pedra. Tudo faz lembrar anos 70. O ambiente é familiar, as batatas são caseiras e vêm sempre a ferver. O molho, querendo mais, vem na panela diretamente da cozinha. Venha com tempo. A francesinha é preparada num lado e montada no outro. Os talheres são daqueles de ferro e os pratos com o aro azul antigo tipo casa da avó. O Sr. Paulo fica-nos a contar histórias do Paju desde que abriu, se lhe perguntarem. Com uma vaidade humilde, em que não tem de se armar em chef por dizer que faz boa gastronomia típica. Toda a experiência, ao contrário do que acontece nas nossas cidades completamente aculturadas por um turismo de massas, em que tudo é feito para vender, ali parece que ficou esquecido no tempo. Essa autenticidade não tem preço. 10 estrelas.”
É um balcão, um ritual, uma casa aberta quando quase todas as outras já fecharam. E às vezes, depois de uma noite longa, é exatamente isso que nos apetece encontrar.
