A comunidade científica internacional ficou em choque com a notícia do assassinato do físico português Nuno Loureiro, de 47 anos, baleado na sua residência em Brookline, na área metropolitana de Boston, na noite de 15 de dezembro de 2025. A polícia de Massachusetts abriu uma investigação por homicídio, mas até agora não há suspeitos detidos nem motivações conhecidas para o crime.
Natural de Viseu, Nuno Loureiro estudou física no Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa, onde se licenciou em 2000. Obteve o doutoramento em física teórica pelo Imperial College London em 2005, com uma tese sobre instabilidades em plasmas magnéticos, isto é, o tipo de matéria que compõe o interior das estrelas e que é essencial para a energia de fusão.
Em 2016, juntou-se ao corpo docente do Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde viria a tornar-se uma figura central na investigação de plasmas e fusão nuclear, tendo sido nomeado em 2022 diretor-adjunto do Plasma Science and Fusion Center.
Mas, afinal, o que é o plasma e porque é tão importante?
Nuno Loureiro investigava o plasma magnetizado, que é nada mais do que o quarto estado da matéria, uma “sopa” de partículas carregadas a temperaturas elevadíssimas, como as que existem no interior do Sol e de outras estrelas. A capacidade de dominar plasmas é essencial para criar reatores de fusão nuclear, uma tecnologia que promete gerar energia limpa e praticamente inesgotável, imitando o processo que alimenta o Sol. Essa energia, denominada energia de fusão, é a alternativa perfeita às energias fósseis, que têm impacto sobre as alterações climáticas, e às energias renováveis, que não conseguem fazer face a todas as necessidades energéticas.
Segundo a página do MIT, Nuno Loureiro tinha “um interesse ativo em vários aspetos fundamentais da dinâmica do plasma magnetizado, tais como reconexão magnética, geração e amplificação de campos magnéticos, confinamento e transporte em plasmas de fusão e turbulência em plasmas fortemente magnetizados e fracamente colisionais”.
Este trabalho tem implicações diretas nos grandes projetos de fusão nuclear, como o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor), que procura produzir um plasma que liberte mais energia do que consome.
No MIT Plasma Science and Fusion Center (PSFC), um dos principais laboratórios do mundo na área, a atuação de Nuno Loureiro combinava física fundamental com aplicações tecnológicas e de engenharia, aproximando a comunidade científica dos desafios práticos na construção de reatores de fusão.
A investigação científica deixada por Nuno Loureiro, e descrita no PSFC, representa um contributo chave para o futuro da fusão nuclear e para uma compreensão mais profunda de alguns dos processos mais complexos do universo. E, enquanto as autoridades investigam as circunstâncias da morte, o mundo científico lamenta a perda precoce de um dos seus mais talentosos cientistas.
