Para muitos de nós, passar o frango cru por água corrente parece um gesto quase instintivo quando vamos cozinhar uma canja ou um guisado. E, dirão alguns, uma questão de higiene. Mas a ciência é clara: lavar frango antes de o cozinhar não só é desnecessário como pode até ser perigoso.
O frango que compramos no supermercado já passou por processos de limpeza adequados e, além disso, estudos recentes indicam que a lavagem não reduz de forma significativa a presença de microrganismos patogénicos e, pelo contrário, pode contribuir para um fenómeno conhecido como contaminação cruzada.
Julian Cox, vice-presidente do Food Safety Information Council da Austrália, reforça a mensagem durante a Semana Nacional da Segurança Alimentar: “Nunca se deve lavar frango cru antes de cozinhar", diz. "Isso provavelmente espalhará bactérias por toda a cozinha, aumentando o risco de doenças transmitidas por alimentos".
A falta de informação continua a pôr famílias em risco e, todos os anos, nos EUA, registam-se cerca de 47,8 milhões de casos de doenças de origem alimentar, sendo o frango cru o principal responsável. O ato de lavar frango não é a causa direta, mas aumenta significativamente a probabilidade de contaminação.
Um estudo do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), realizado em 2019, ilustrou bem o problema: 26% dos participantes que lavaram frango acabaram por transferir bactérias para a salada, apenas por reutilizarem a mesma pia para lavar os vegetais.
Mesmo após uma limpeza superficial, muitos lavatórios permanecem contaminados, segundo demonstrações laboratoriais. Ou seja, um simples gesto pode transformar a cozinha num campo minado de Salmonella ou E. coli.
Para reduzir riscos, as autoridades de segurança alimentar recomendam práticas simples e eficazes:
– Não lavar carne crua;
– Utilizar uma tábua exclusiva para carne crua;
– Lavar as mãos durante pelo menos 20 segundos após manipular frango;
– Cozinhar o frango até, no mínimo, 74 °C.
Importa recordar que estas recomendações também se aplicam ao peru, dica útil agora que nos aproximamos das épocas festivas. No fim de contas, a melhor forma de garantir segurança alimentar não é lavar o frango, mas sim cozinhá-lo adequadamente e evitar contaminações cruzadas.
