O frio tende a agravar as dores musculoesqueléticas por vários mecanismos fisiológicos. Um dos mais relevantes é o aumento da rigidez articular, sobretudo em pessoas com artrose, discopatia ou inflamação crónica de baixa intensidade. Em temperaturas mais baixas, os tecidos tornam-se menos elásticos e o corpo entra num estado de “proteção”, o que favorece contraturas e limitação do movimento.
Além disso, ocorre um aumento da viscosidade do líquido sinovial (o fluido que lubrifica as articulações). Com o frio, este líquido torna-se mais “espesso” e circula com menor facilidade, reduzindo a capacidade de lubrificação. Como resultado, a articulação perde parte da sua fluidez normal, podendo surgir sensação de “travamento”, estalidos e dor ao iniciar o movimento, principalmente de manhã ou após repouso.
Outro fator importante é a diminuição da vascularização periférica. O organismo responde ao frio com vasoconstrição (redução do calibre dos vasos sanguíneos) para conservar calor. Isso diminui a chegada de oxigénio e nutrientes aos músculos e às estruturas articulares e pode atrasar a remoção de metabólitos inflamatórios. Essa combinação favorece dor, sensação de peso e maior fadiga muscular.
Por fim, o frio pode desencadear tremores musculares involuntários, que são um mecanismo natural do corpo para produzir calor. Esses microcontratos repetidos aumentam o consumo de energia muscular e podem intensificar a tensão e a dor, sobretudo em áreas já sensíveis como a região lombar, cervical e ombros. Por isso, manter o corpo aquecido e fazer mobilização suave costuma reduzir significativamente o agravamento da dor nos dias frios.
