A atividade do tecido adiposo castanho é responsável pela geração de calor no nosso organismo, a chamada termogénese, havendo grande variabilidade individual e influência genética ajudando a explicar porque alguns toleram bem o frio e outros não.
Também as diferenças de metabolismo basal têm um papel importante, sendo que os indivíduos de metabolismo lento têm maior sensibilidade ao frio por produzirem menos calor. Certas condições patológicas, como o hipotiroidismo, lentificam o metabolismo.
Pessoas com mais massa muscular produzem mais calor, já que o músculo é um tecido metabolicamente ativo e, por sua vez a gordura subcutânea, em quantidade moderada, funciona como um isolante natural para a perda do calor. Assim o binómio gordura/massa muscular desempenha aqui um papel fundamental. Pessoas muito magras, sobretudo mulheres idosas, têm menos isolamento térmico e menos massa muscular para produzir calor.
Assim, idade, sexo e constituição são fatores que diferenciam a nossa sensibilidade ao frio e ao calor: o envelhecimento, algumas medicações (por exemplo, beta-bloqueadores) e certas doenças crónicas diminuem a capacidade de manter a temperatura corporal.
Principais causas médicas de “frio a mais”:
─ Hipotiroidismo: causa clássica de intolerância ao frio, associada a fadiga, aumento de peso, pele seca, obstipação e bradicardia;
─ Anemia: menos hemoglobina significa menor capacidade de transporte de oxigénio e de produção de calor, contribuindo para sensação de frio e fadiga;
─ Doenças vasculares: Raynaud e outras doenças que causam vasoconstrição periférica levam a extremidades frias, dor, alterações de cor com o frio;
─ Doença crónica, desnutrição ou anorexia nervosa: estados de má nutrição ou doença sistémica reduzem massa muscular, gordura e metabolismo, aumentando a intolerância ao frio;
─ Alterações do hipotálamo e alguns fármacos: lesões ou disfunção do centro termorregulador e medicamentos vasoconstritores, sedativos ou beta-bloqueadores podem agravar a sensibilidade ao frio.
