Roy Hodgson | Fotografia: Simon Galloway/Getty Images
Roy Hodgson | Fotografia: Simon Galloway/Getty Images
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Aos quase 80 anos, técnico inglês marca recorde no mundo do futebol

Desde os anos 70 que ouvimos falar nele: Roy Hodgson. Com uma carreira de sucesso, contamos a história do técnico inglês que surpreende o mundo do futebol ao regressar... ao trabalho.

Roy Hodgson tem quase 80 anos e volta ao futebol para treinar o Bristol City

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No futebol, a idade parece ser uma condicionante ao prolongamento da carreira. Com a intensidade do calendário, a pressão constante dos resultados e a exigência física e emocional da profissão, muitos jogadores e treinadores acabam por abandonar o ativo cedo. No entanto, há uma figura icónica no mundo do desporto mostra que a idade, por si só, não tem de ser um limite: Roy Hodgson.

Aos 78 anos, o técnico inglês protagonizou um dos regressos mais inesperados da temporada ao aceitar o convite para orientar o Bristol City, do Championship, até ao final da época.  

Com uma carreira iniciada nos anos 70, Roy Hodgson construiu um percurso raro pela dimensão internacional que alcançou. Orientou clubes em vários países europeus, passou por emblemas históricos como o Inter Milão, Liverpool e Crystal Palace, e liderou também quatro seleções nacionais, incluindo Inglaterra entre 2012 e 2016. No total, soma passagens por 17 clubes e uma reputação construída à base de longevidade, disciplina e profundo conhecimento táctico.

Curiosamente, este novo desafio representa também um regresso às origens. Hodgson volta ao Bristol City mais de quatro décadas depois da sua primeira passagem pelo clube, entre 1980 e 1982, numa fase ainda inicial da sua carreira em Inglaterra. Agora, volta com uma missão completamente diferente: estabilizar uma equipa em crise.

Isto porque o novo cargo é assumido por Roy após a demissão do austríaco Gerhard Struber, afastado na sequência de uma série negativa de resultados. O Bristol City ocupava o 16.º lugar do Championship e a eliminação da Taça de Inglaterra frente ao Port Vale, último classificado da League One, agravou ainda mais o ambiente em torno da equipa.

Foi então que a proposta foi feita a Roy, surgindo, naturalmente, algumas dúvidas.  

“Perguntei-me se seria realmente capaz de aceitar isto. E provei a mim mesmo que sou, não tenho dúvidas disso”, confessou o treinador inglês à BBC Radio Bristol. “Qualquer receio que pudesse ter de pensar: ‘Bem, agora já és demasiado velho para isto, já não consegues ir para o relvado com os jogadores, treinar e gerir a equipa da forma como sempre fizeste.’ Não, isso não é verdade, eu consigo.”, acrescentou.

E o impacto imediato tem sido positivo, com várias vitórias a celebrar após o apito final. Mas não é só isso que importa para o diretor executivo do Bristol City, Charlie Boss. “A nomeação do Roy é mais do que apenas os resultados dos próximos sete jogos", disse no início do contrato. "Ele vai ajudar-nos a definir os padrões e os valores necessários para o futuro do clube”.

Mesmo sem garantir continuidade, Roy Hodgson não fechou completamente a porta a próximos desafios. Com humor, reconheceu que talvez ainda surjam outras oportunidades inesperadas. “Quem sabe? Talvez apareça mais alguma coisa e vocês digam outra vez que eu devo estar louco por aceitar.”

No fundo, uma coisa Roy Hodgson já provou: o futebol não tem prazo de validade.

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