Ao longo dos anos, a ciência tem-nos habituado a um fluxo constante de notícias sobre aquilo que devemos evitar: menos açúcar, menos gordura, menos carne vermelha, mais exercício, mais fibra. Por isso, quando surge um estudo que parece contrariar expectativas, é natural que chame a atenção.
Foi exatamente isso que aconteceu recentemente com uma investigação associada a Harvard, divulgada no jornal The Atlantic, que está a gerar discussão por sugerir que o gelado poderá não ser apenas um prazer culposo.
Segundo os dados divulgados, os investigadores acompanharam cerca de 190 mil pessoas ao longo de 40 anos e a partir dai foi possível concluir que os indivíduos que consumiam gelado duas vezes por semana apresentavam um risco significativamente mais baixo de desenvolver diabetes do que aqueles que o evitavam completamente.
Mas há um detalhe importante: o tipo de gordura presente no gelado.
Os investigadores destacam a chamada milk fat globule membrane (membrana do glóbulo de gordura do leite), um composto natural presente nos laticínios integrais, que parece desempenhar um papel protetor na saúde metabólica e poderá até contribuir para a redução do colesterol. No fundo, não é o gelado em si o benefício, mas os componentes naturais do leite inteiro, preservados quando se utilizam ingredientes verdadeiros e minimamente processados.
No entanto, há um lado menos otimista desta história. A maioria dos gelados vendidos em supermercados ou cafés não tem uma lista de ingredientes assim tão natural, uma vez que muitas marcas substituem a gordura do leite por óleos vegetais e recorrem a estabilizantes e espessantes como carragenina, goma guar ou goma de alfarroba, aditivos comuns na indústria alimentar que alteram a textura e prolongam a durabilidade do produto.
O resultado é um alimento altamente processado, distante da receita original à base de leite, natas e ovos.
Em suma, o gelado pode até fazer bem, mas devemos ter em atenção como é feito. Segundo indica o estudo, deves preferir gelados feitos com natas verdadeiras, leite integral e poucos aditivos, ou até versões caseiras com ingredientes simples como natas, gemas de ovo, mel e baunilha.
As marcas artesanais, como aquelas que mostramos na galeria de imagens, são melhores opções, uma vez que utilizam leite de vacas criadas em pasto e listas de ingredientes mais curtas. Mas é uma questão de tomares atenção aos rótulos nas embalagens.
