Gostamos de acompanhar a vida de Georgina Rodíguez. Entre viagens, eventos e momentos em família, a empresária costuma partilhar nas redes sociais alguns dos cenários que visita e, na verdade, muitos acabam por despertar tanta curiosidade quanto os seus looks.
Foi o que aconteceu quando vimos os seus mais recentes stories no Instagram. Embora o visual tenha chamado a atenção, houve outro detalhe que despertou mais interesse: o local onde Georgina disse ter assistido “à missa mais bonita” da sua vida.
Depois de alguma pesquisa, percebemos que se tratava da basílica do Vale dos Caídos, um dos monumentos mais impressionantes (e também mais controversos) da história contemporânea espanhola.
Escavada no interior de uma colina rochosa e coroada por uma cruz monumental com cerca de 150 metros de altura, a basílica faz parte de um complexo imponente situado nas montanhas perto de Madrid. O ambiente solene e a dimensão monumental do espaço ajudam a perceber porque a experiência religiosa ali pode ser particularmente marcante. Mas a história do lugar está longe de ser neutra.
Qual a polémica?
O monumento foi mandado construir pelo ditador Francisco Franco em 1940 (terminado em 1959) após a Guerra Civil Espanhola para homenagear aqueles que morreram a lutar ao lado das forças nacionalistas por Deus e por Espanha.
Entre 1940 e 1959, milhares de presos políticos trabalharam nas obras em condições duras e precárias, num sistema em que o trabalho permitia a redução das penas. Hoje, nas criptas subterrâneas do monumento encontram-se cerca de 33.800 corpos, muitos deles transferidos para o local sem o conhecimento ou autorização das famílias.
Durante décadas, o espaço esteve também ligado ao culto político do regime franquista. Ali foi enterrado o fundador da Falange, o partido fascista espanhol, José Antonio Primo de Rivera, e, mais tarde, o próprio Franco, após a sua morte em 1975.
O regime de Franco, conhecido como franquismo, foi marcado por forte repressão política, censura, partido único e perseguição a opositores, tornando-se uma das ditaduras mais longas da Europa no século XX.
Nos últimos anos, o monumento voltou ao centro do debate histórico em Espanha. Em 2019, o governo liderado por Pedro Sánchez decidiu retirar os restos mortais de Franco do local, numa tentativa de afastar o espaço do simbolismo ligado à ditadura.
Hoje, o antigo Vale dos Caídos, oficialmente chamado Vale de Cuelgamuros, continua a impressionar pela monumentalidade e pelo ambiente espiritual da basílica. Mas permanece também um lugar carregado de memória e controvérsia, onde fé, política e história continuam inevitavelmente entrelaçadas.
