A imprensa estrangeira, especialmente italiana, tem dado conta de um anticiclone africano que está a intensificar-se sobre o sudoeste da Europa. Deverá dominar o estado do tempo em vários países durante os próximos dias e em Itália a previsão aponta para uma nova subida das temperaturas, com tempo seco e estável na maior parte do território, por culpa da expansão desta massa de ar quente proveniente do Norte de África.
E... em Portugal? Antes de lá chegarmos, vamos perceber que fenómeno é este.
O que é o anticiclone africano?
O anticiclone africano é uma vasta área de alta pressão atmosférica que se forma sobre o Norte de África, sobretudo na região do deserto do Saara. Ao contrário das depressões, que favorecem a formação de nuvens e precipitação, os anticiclones promovem a descida do ar na atmosfera, inibindo a nebulosidade e criando condições de tempo seco e estável.
Quando este sistema se expande para norte, transporta uma massa de ar muito quente em direção ao Mediterrâneo e à Península Ibérica, fazendo subir as temperaturas de forma significativa e podendo originar vagas de calor prolongadas.
É precisamente esse cenário que se verifica em Itália, onde o reforço do anticiclone deverá manter temperaturas elevadas ao longo dos próximos dias.
Mas será que Portugal também poderá sentir os efeitos?
Depende.
A influência do anticiclone africano em Portugal depende da sua posição e da circulação atmosférica sobre a Península Ibérica. Sempre que o sistema se estende para oeste, favorece a entrada de ar quente proveniente do Norte de África, fazendo disparar as temperaturas, sobretudo nas regiões do interior.
Nestes episódios, os termómetros podem ultrapassar os 40ºC em algumas zonas do país, as noites tornam-se mais quentes e aumenta o risco de incêndio rural.
Contudo, a presença do anticiclone africano não significa automaticamente calor extremo em Portugal. A evolução do estado do tempo continua a depender da interação com outros sistemas atmosféricos, nomeadamente o anticiclone dos Açores e as depressões atlânticas.
Qual a diferença entre o anticiclone africano e o anticiclone dos Açores?
Apesar de ambos serem sistemas de alta pressão, têm origens e efeitos bastante diferentes.
Segundo o IPMA, o anticiclone dos Açores forma-se sobre o Atlântico Norte, nas proximidades do arquipélago dos Açores. Por transportar ar marítimo, contribui para um tempo geralmente estável, seco e com temperaturas mais moderadas, sobretudo nas regiões costeiras. É considerado um dos principais responsáveis pelo padrão típico do verão português.
Já o anticiclone africano tem origem continental, sobre o deserto do Saara. A massa de ar que transporta é significativamente mais quente e seca, potenciando episódios de calor intenso quando alcança o sul da Europa.
Na prática, enquanto o anticiclone dos Açores está associado a um verão estável e relativamente confortável, o anticiclone africano é frequentemente responsável pelas vagas de calor mais severas.
Nos últimos anos, os meteorologistas têm observado uma maior frequência e persistência das incursões do anticiclone africano sobre o sul da Europa, o que tem levado a ondas de calor mais intensas e duradouras, com impactos na saúde pública, na disponibilidade de água e no risco de incêndios.
Mas, para já, não há previsão de temperaturas altas em Portugal. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), até ao fim de semana os termómetros não vão ultrapassar os 40ºC. Aliás, no sábado, 1 de agosto, há até uma "pequena subida da temperatura máxima".
Seja como for, nada sabe melhor do que uma casa fresca no verão e na galeria de imagens temos várias sugestões para a manteres livre do calor.
