De repente, o verão passa por nós a correr e os dias começam a ficar mais curtos sem nos apercebermos. Mas eis o momento em que nos demos conta: quando nos sentámos na mesa do Plano No Jardim, um prolongamento do restaurante Plano.
Indicado no Guia Michelin e Guia Repsol, também como “Restaurante do Ano 2024” nos Prémios Grandes Escolhas, membro da Chaîne des Rôtisseurs, e “Restaurante Revelação 2020” Boa Cama Boa Mesa, o Plano, aberto há seis anos, decidiu dinamizar um conceito diferente nos meses de verão, um jantar à luz da noite.
Chegámos cedo e ainda com a luz do dia, por volta das 19h30, ao terraço com jardim junto a um edifício do século XVIII e sentámo-nos para conhecer as propostas do Chef transmontano Vitor Adão nesta experiência ímpar.
Cada um dos cinco momentos que se seguem vai além da gastronomia e da homenagem aos sabores de Trás-os-Montes, é a combinação de um espaço acolhedor, de música brasileira calma e de uma simpatia de staff que quase queremos convidar para se juntar à mesa.
A experiência começa com um momento mais pequeno, o snack, mas de grande valor. Apresentam-nos Ostras da zona de Sagres, com suco de citrinos e maçã Granny Smith, brindadas com duas gotas de picante Mondega, marca portuguesa de picantes de luxo e suaves.
Segue-se depois um best seller, o Tártaro de Atum, com puré de batata doce e ainda amendoim caramelizado, maionese de wasabi e telhas de tinta de choco e de azeite e pão. É de garfo e colher que o desconstruímos, não existindo forma mais fresca de dar início ao jantar numa noite quente de verão.
O peixe continua a reinar e no segundo momento chega à mesa uma Corvina do Atlântico, grelhada e fumada, acompanhada de uma esmagada de batata de Chaves feita à mão que nos transporta para a infância e para os almoços em casa dos avós.
Para o terceiro momento, chega finalmente a cane, um Lombo de Vaca Barrosã, com puré de escabeche, puré de coentros e molho de ovo. Já na versão de peixe do terceiro momento é apresentado um Bacalhau Cozinhado a Baixa Temperatura, que se faz acompanhar de sopa seca, uma reinterpretação do Chef de um prato que come frequentemente no restaurante Maria Rita, em Trás-os-Montes, e que é nada mais do que uma espécie de migas mais cremosas.
A noite já caia e o céu começava a ficar estrelado, fazendo concorrência às estrelas do menu. Quais é que brilham mais? As que chegam à mesa, certamente, porque a cozinha do Chef Vitor Adão brilha da apresentação à degustação, que estava ainda longe de terminar.
Seguiram-se as sobremesas, uma junção leve de Iogurte e Lima, com pêssegos caramelizados e crocante de framboesa, e ainda um Pão de Ló com queijo Terrincho ao estilo do Norte, para partilhar. Nos petit four, o extra que finaliza qualquer refeição de nível Michelin, provamos ainda broa Castelar, uma versão de profiteroles, trufa de chocolate e Madalena envolvida em calda de rum.
Toda a refeição é harmonizada com os vinhos exclusivos do Chef, que em 2020 lançou-se neste mundo em parceria com a enóloga Joana Santiago. O nome dos rótulos é curioso, uns são Ding, outros são Dong, uma referência ao jogo Ding Dong que o Chef jogava em pequeno na terra natal.
A Garden Experience ou experiência Plano No Jardim é sazonal e tem um custo de €140 (cinco momentos e 4 quatro vinhos). Fora de época ou em dias em que as condições meteorológicas não permitam, é sempre possível degustar uma refeição no interior do restaurante, seja a escolha o Menu Raízes (dez momentos, €115; harmonização de oito vinhos Viagens da Minha Terra, €90) ou o Menu Origens (sete momentos, €95; harmonização de seis vinhos A Cidade e as Serras, €70).
