A história do vinho terá mais de 8 mil anos e com o passar dos séculos tornou-se numa das bebidas mais apreciadas em todo o mundo. Existem vários tipos de apreciadores, desde os que fazem a degustação com um saber técnico e aqueles que degustam recorrendo apenas a dois comentários: "gosto" ou "não gosto". E a nova Bíblia do Vinho é para todos eles.
O best seller mundial do New York Times foi criado pelos co-fundadores do projeto Wine Folly, a sommelier Madeline Puckette e o especialista em estratégia digital Justin Hammack, e acaba de ser lançada uma versão portuguesa com a colaboração de Manuel Moreira, sommelier e membro da Associação dos Escanções de Portugal.
"Bíblia do Vinho" é um livro não para ler, mas para se ir lendo, de tão rica e completa que é a informação comprimida em mais de 300 páginas, que vão desde como provar e até passando pelas mais importantes castas do mundo. Adicionalmente, a particularidade da versão portuguesa é a forma como dá a conhecer o potencial dos nossos vinhos e regiões que, afirma Manuel Moreira, "os portugueses em geral não conhecem".
A VERSA entrevistou o sommelier, que nos revela que livro é este e os 10 mandamentos para quem quer conhecer melhor este mundo.
O que o apaixona no mundo dos vinhos e por que razão aceitou este desafio?
A paixão é algo que senti mais no início de carreira. Hoje o mundo dos vinhos e tudo o que está ao redor são encarados por mim como profissão, como um modo de vida e subsistência. A paixão já não é mesma, mas gosto de ser parte deste mundo que é multidisciplinar, que é o que mais aprecio. O vinho e gastronomia, por exemplo, são para mim uma forma muito prática de ver o que se passa no mundo em geral. O que se come, o que se bebe, como se decide, quem são os consumidores, a relação com temas da sustentabilidade e ambiente, as ligações ao património cultural e natural e, muito em particular, as pessoas.
Aceitei o desafio como algo natural, pois este livro tem muito daquilo que faço atualmente como wine educator, formador e como alguém que quer partilhar este universo do vinho. Já conhecia o projeto Wine Folly, com o qual me identificava, e o facto de poder estar associado a uma obra de referência, tornou fácil aceitar o desafio.
A "Bíblia do Vinho" vai desde dicas do dia a dia, a explicações mais técnicas, por exemplo, de vinificação. A quem se destina? A componente ilustrativa pretende apelar também a consumidores mais jovens?
Essa amplitude temática significa que pode ser útil ao novato no vinho como ao mais envolvido e a quem estuda sobre vinhos. Creio ser essa uma das características mais valiosas do livro.
A componente ilustrativa é o grande traço distintivo do projeto Wine Folly do qual o livro é exemplo. Perfeito para ajudar qualquer pessoa que se interesse pelo vinho. Até para mim, como formador, as ilustrações são ótimas para abrilhantar conteúdos técnicos. E, sim, a componente ilustrativa pode ajudar os consumidores jovens, muito visuais, a perceber os assuntos de forma mais imediata e inteligível, assim como a linguagem é clara e concisa e pouco rebuscada. Tudo junto, faz com que o livro não seja maçador.
Nesta edição encontramos mais informação sobre as regiões e vinhos portugueses do que na versão original. Os portugueses conhecem o potencial dos nossos vinhos?
Não, os portugueses em geral não conhecem o país vitivinícola. A maioria não quer saber. Há um sem número de razões, até do ponto de vista social, para isso. No entanto, cresce o número de pessoas interessadas em vinho. E, para esses, o livro pode ser útil, mesmo que ofereça conteúdos elementares. Para muitos, essa informação é o suficiente para o que pretendem. E aí, o livro ajuda e muito.
Por outro lado, o livro percorre as regiões vinícolas de todo o mundo. Serve assim também como roteiro para os entusiastas de vinho que querem viajar?
Certamente, essa é uma utilidade muito proveitosa do livro. Mesmo para quem não é entusiasta, o livro pode funcionar como uma orientação na escolha dos vinhos de outras regiões. Poderá facilmente perceber os perfis e estilos que vão ao encontro do seu paladar, além de compreender melhor a informação de rotulagem e quais são os vinhos mais apropriados para a sua experiência gastronómica. A leitura prévia sobre os néctares do destino da viagem será benéfica. Facilitará, por exemplo, a interação com os profissionais de restaurante sobre o vinho a escolher.
Se não soubermos tudo o que está na bíblia, não somos conhecedores de vinho?
Como referi antes, o livro é um excelente apoio aos interessados em vinho ou àqueles que pretendem estar mais dentro da temática. Haverá na obra temas que ajudam os apreciadores e outros em que estes não terão interesse ou não lhes sejam essenciais, sem que os mesmos percam o epíteto de “conhecedores de vinho”. Todavia, a larga maioria dos chamados conhecedores está familiarizada com os aspetos práticos (copos, conservação, maneira de provar, etc.) contidos na obra. Agora, o conhecedor que ambiciona ter uma visão 360˚ sobre o mundo desta bebida tem no livro um suporte valioso. Quem souber tudo o que está no livro, aliado à prática regular da prova de vinho e do contato regular com os agentes do sector, viajar, ter curiosidade e uma mente aberta ajudam a acumular experiências que os livros não proporcionam. Ao reunir todos esses elementos, pode legitimamente afirmar-se como conhecedor.
Quem ler a "Bíblia do Vinho" ficará apto para lhe "roubar" a profissão?
Quem ler a “Biblia do Vinho”, ou melhor, quem a for lendo pode envolver-se de forma mais próxima com o vinho. Conheço muitos exemplos de pessoas fora do vinho que se envolveram profissionalmente neste universo, mesmo antes de o livro estar disponível. Mais do que “roubar” a profissão, é bom haver novos protagonistas que acrescentam. Nesta indústria há muito a fazer e espaço para muitos mais protagonistas. O livro pode, com certeza, acender a faísca para alguém entrar no mundo do vinho em modo profissional. Por isso, quanto mais e melhores aparecerem, e se o livro ajudar, são bem-vindos.
Antes de comprarmos um vinho, que capítulo aconselha visitar da "Bíblia do Vinho"?
Sem hesitação, o capítulo 1. É aqui que encontra a base para melhor compreender a bebida e adquirir o “kit de ferramentas” que ajudam à escolha mais ajustada do vinho pretendido.
Por fim, sendo o livro uma bíblia do vinho, quais os 10 mandamentos que sugere?
Como 10 mandamentos posso enumerar:
1. Saber como se faz o vinho.
2. Aprender a provar vinho.
3. Perceber como melhor usufruir do vinho.
4. Entender os princípios de associar vinho e comida.
5. Descobrir as mais importantes variedades (castas) do mundo.
6. Conhecer os principais componentes do vinho
7. Distinguir os aromas mais comuns dos vinhos.
8. Viajar pelo mundo vitivinícola.
9. Conhecer as regiões e os perfis de vinho de referência.
10. Descodificar terminologia na rotulagem.
11. Um extra e tópico bem atual: tomar consciência nutricional e consumo responsável do vinho.
O livro Bíblia do Vinho está à venda online em Familiam e também nas lojas FNAC. Custa €29,90 (P.V.P).
