Um copo de vinho é sempre uma boa ideia e numa ida ao Porto as tentações estão a cada rua. Não só porque a cidade é famosa pelo vinho do Porto, que se pode conhecer ao pormenor na margem sul do rio Douro, nas Caves Sandeman, mas também porque não faltam espaços que convidam a outros tipos de vinho ao longo do roteiro, andemos para os lados da Casa Allen ou da icónica Livraria Lello.
Alguns podem passar despercebidos, mas não é o caso do novo By The Wine Porto, que chegou à cidade em novembro, em regime de soft opening, e desde então está de porta literalmente aberta para que todos os que passam saibam que ali é de vinho que se fala. Este é já o segundo espaço By The Wine, o primeiro abriu em Lisboa há dez anos, e mantém a mesma decoração intimista, com luzes quentes e garrafas a cobrir o teto, não faltando outras para servir à mesa.
São mais de 80 referências de vinho na carta do By The Wine Porto, selecionados pela Sogrape, que evidencia não só referências nacionais, da Casa Ferreirinha à Herdade do Peso, como internacionais, uma vez que tem quintas espalhadas pelo mundo, de Portugal à Nova Zelândia.
"Temos a maior parte dos vinhos da Sogrape servidos a garrafa e a copo. Seria impossível ter todos porque não haveria espaço para os guardar de forma apropriada", diz à VERSA Ricardo Santos, sócio-gerente do projecto By The Wine. Outra das vantagens desta parceria é que "os vinhos clássicos são muito consistentes de colheita para colheita", para além de surgirem sempre novas e inovadoras propostas.
No By The Wine Porto os vinhos podem ser provados na sala principal e também no espaço que mais o diferencia relativamente a Lisboa: a esplanada. "Uma das diferenças em relação a Lisboa é que no Porto temos uma esplanada coberta no primeiro piso, com um ambiente muito agradável, tanto no verão, como no inverno", diz Ricardo.
Contudo, não foi preciso subir ou descer escadas (o que pode ser um desafio após explorar a vasta carta de vinhos) para a VERSA ficar a conhecer este wine bar. Uma mesa para dois, um copo de vinho e anunciava-se o plano perfeito.
Para que região seguimos?
A carta que espreitamos primeiro é óbvia: a carta de vinhos. As opções incluem vinho a copo, garrafa para consumir durante a refeição e garrafa para levar quando queremos voltar a recordar mais tarde um vinho que nos conquistou.
Mesmo os mais experientes e conhecedores podem precisar de uma ajuda e no nosso caso foi Luís Filipe Nascimento, responsável de restaurante no By The Wine, que nos guiou nesta experiência.
Branco ou tinto? Mais seco ou frutado? E a casta? As perguntas clássicas levaram-nos a decidir o primeiro vinho: um branco do Dão, Quinta dos Carvalhais Colheita (para referência, €5,20 o copo e €20 a garrafa para consumo no restaurante).
A escolha foi feita consoante o que iriamos pedir da carta gastronómica, que começa nas entradas, passa pelos pratos principais, pelas tábuas de queijos e enchidos e termina nas sobremesas.
"A carta começou há 10 anos por ser uma compilação de pratos que a minha mulher e eu servíamos quando recebíamos amigos e família em casa. As pessoas gostavam muito e foi evoluindo ao longo do tempo com o contributo de quem foi passando pela nossa cozinha", conta Ricardo Santos.
A carta, que pouco muda entre o Porto e Lisboa, é um espelho dessas experiências e também das propostas do Chef Momad Correia, que se juntou ao conceito há 2 anos. O foco é "harmonizar bem com a enorme variedade de estilos de vinho" e não há dúvidas de que há casamentos com final feliz.
Exemplo disso foi o Quinta dos Carvalhais Colheita, que se revelou a companhia ideal para uma tábua mista personalizada, com embutidos bellota (salsichão, chouriço, presunto 40 meses) e queijos (queijo da Ilha 24 meses, queijo meia cura, queijo amanteigado do Alentejo) e um doce de figo a acompanhar. Ah e, claro, pão – o que seria de uma mesa portuguesa com vinho na mesa sem pão?
Vinho e queijo é a combinação infalível, mas outras têm mostrado ser um sucesso no By The Wine. Tem sido assim com o Pica-Pau de Lombelo (€17), o Carpaccio de Novilho (€13) e a Sopa de Tomate com Ovo Escalfado a Baixa Temperatura (€6,50), que no verão se transforma num Gaspacho de Tomate com Manjericão.
As opções incluem ainda pratos principais, como um clássico Prego do Lombo (€14) ou ainda um original Polvo à Brás (€26).
No entanto, optámos por excluir os talheres desta refeição e passar dos queijos para outro dos best sellers: Patacones com Atum Picante (€18). Temerosos do picante, não se assustem, que o toque é subtil e vale a pena só para sentir a crocância da banana pão que serve de base ao atum cru.
De volta ao copo, neste momento já tínhamos passado do Dão ao Douro para provar o Vinha Grande branco (€5,80 o copo e €23 a garrafa).
Depois disto, não houve lugar nem para a Triologia de Pudim Abáde priscos, Tarte de Lima e Bolo de Chocolate (€15) das sobremesas, mas não faltou espaço no wine bar para nos acolher durante horas de conversa, no meio de vinhos e bons petiscos.
Quanto a novos restaurantes By The Wine, Ricardo Santos afirma que não há nada em vista. "Não pretendemos ser uma cadeia de restaurantes. O Porto fazia sentido porque é uma cidade vínica, pela ligação à Sogrape, porque tem uma população local que gosta de sair para jantar e para tomar um copo de vinho e porque tem muitos visitantes estrangeiros que têm um enorme interesse em conhecer os vinho portugueses", remata.
Nesse caso, é visitar o By The Wine Porto, que está situado na Rua José Falcão e funciona de terça-feira a domingo, das 13h às 24h. Para reservar, basta aceder ao site ou usar os contactos (porto@bythewine.pt / +351 222 087 292). Quanto ao de Lisboa, fica na Rua das Flores e está aberto todos os dias (19h às 24h de segunda a quarta-feira e das 13h às 24h de quinta-feira a domingo).
