Bar Boca
Gourmet

Neste bar, a palavra vinho anda de boca em boca

Há um novo wine bar em Alfama. No Bar Boca, Elliot Jones serve vinho natural e comida vegetariana ao som de jazz.

Quando há dez anos Elliot Jones visitou Lisboa pela primeira vez, a cidade era outra. As ruas ainda se encontravam despidas de turistas, não havia novas lojas, bares e restaurantes a povoarem cada esquina, mas algo prendeu a atenção do jovem canadiano. “Ficou-me na cabeça. A qualquer sítio que fosse, só conseguia lembrar-me de Lisboa”, conta agora o músico e cozinheiro de 32 anos, sentado à porta do Bar Boca, o wine bar de vinhos naturais e de comida vegetariana de que é proprietário e que acabou de abrir portas na Rua do Vigário, em Alfama.

“Passei por Londres, Berlim ou Istambul, mas quando visitei Lisboa lembro-me de pensar que não me importaria de viver aqui. Era muito romântica, sossegada, ideal para caminhar nas ruas”, recorda sobre como foi crescendo a relação de amor com a cidade que viria a ser a sua casa. 

Em pequeno, sempre foi quem ajudou a mãe na cozinha. Mais tarde, na altura de escolher que estudos prosseguir, a decisão já estava tomada. Inscreveu-se na escola de cozinha em Toronto e viajou pelo mundo para saber mais sobre a cultura e a gastronomia de outros países. “Viajava e comia muito. Isso fez-me descobrir uma paixão pela Europa”, diz à VERSA.

Durante algum tempo, ainda andou entre o Canadá e a Europa, mas só há quatro anos decidiu mudar-se. Lisboa foi a escolha óbvia. “Nunca mais fui embora. Fiz desta cidade a minha casa e, desde então, tenho feito pop ups de cozinha por aí. Este é o meu primeiro bar.”

Depois de criar um pop up de hambúrgueres veganos no CoCasa, na Bica, chamado Beauty’s Burguer ou de ajudar a pensar o Tutti Frutti, outro pop up de cocktails em parceria com o Café Clandestino e com o Machimbombo, Elliot sentiu que era altura de abrir um negócio próprio. 

No que fora em tempos uma farmácia e uma pasteleria num dos bairros mais gentrificados da cidade, Elliot encontrou o cantinho ideal para dar vida ao seu projeto. “Adoro comida portuguesa e também adoro comida espanhola. Sei que pode ser controverso mas decidi fazer um bocadinho das duas", explica sobre o tipo de cozinha que se encontra no Bar Boca. 

"A ideia aqui é pedir um copo, um petisco, e estar sempre a beber e a comer", afirma, sorridente. A técnica é portuguesa, garante, mas a forma de comer é espanhola. “Gosto muito das tapas e dos pinchos. É só comer e beber”, diz, recordando uma viagem recente ao País Basco, onde ficou encantado com esta cultura descontraída de estar à mesa.

Os pratos, explica, têm uma influência mediterrânica e mudam a cada duas semanas – tal como alguns dos vinhos franceses, espanhóis, italianos e alemães que vai tendo nas prateleiras do bar, (€4 a €8 a copo ou entre €25 e €45 a garrafa). A piccata (€9), um prato italiano feito com frango ou vitela panada, é aqui alterado, substituindo a proteína por cogumelos ostra com molho de manteiga e vinho branco e limão em conserva. É ainda servido com pão de massa mãe vegano da padaria Slow, de Almada.

As fermentações, uma técnica que Elliot começou a usar bastante nos últimos tempos, adaptam-se na perfeição aos vinhos que ali serve, acredita. “Os cozinheiros entendem o que são vinhos naturais devido aos seus processos, à forma como são feitos, às pessoas que neles estão envolvidos. Há muito cuidado pelo produto”, nota. Outro dos pratos que figura agora no cardápio é um cannelloni à maneira catalã (€10), com proteína vegana cozinhada lentamente, que depois é envolta em massa e finalizada com molho bechamel, antes de ir ao forno.

Para breve, está prevista a instalação de uma pequena esplanada no exterior e até a possibilidade de o bar passar a ser totalmente vegano. Um dos objetivos, confidencia, é fazer o seu próprio vinho e até já tem um nome para ele: Boca Wines. Por agora, Elliot quer apenas servir boa comida e bom vinho, sempre com jazz em pano de fundo. “Há algo de muito autêntico e romântico em Alfama. O tipo de sítio que quero ter combina bem com o bairro.”

Rua do Vigário, 46, Lisboa. 962 928 144. Qua-Dom 18h-00.
 

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