Algarve continua a ser uma das zonas mais caras, mas os preços das casas não subiram nos últimos tempos como se previa
Algarve continua a ser uma das zonas mais caras, mas os preços das casas não subiram nos últimos tempos como se previa | Fotografia: Unsplash
Evasão

Afinal, onde dá para viver em Portugal? O que esperar dos preços das casas?

com LUSA

Encontrar casa em Portugal tem sido, cada vez mais, uma espécie de corrida com obstáculos para muitas famílias. Nos últimos anos, os preços aceleraram de norte a sul do país e há municípios onde, desde 2017, o valor das casas mais do que duplicou. Conseguimos comprar casa?

Um estudo do Banco de Portugal, publicado no Boletim Económico, mostra precisamente isso: os preços da habitação subiram mais de 100% em 157 municípios entre 2017 e 2025. E, como seria de esperar, as maiores subidas concentraram-se sobretudo na Área Metropolitana do Porto, na Grande Lisboa e na Península de Setúbal.

Entre os exemplos mais marcantes estão Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, onde o valor mediano por metro quadrado das casas vendidas cresceu mais de 200% no período analisado.

E não é só na compra que se sente esta pressão. Também o arrendamento entrou neste ritmo acelerado. Segundo os dados do Banco de Portugal, o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios. Grândola, Sines e Moita destacam-se, com subidas superiores a 125% entre 2017 e 2024, o último ano com dados disponíveis.

O estudo aponta ainda para uma mudança interessante: parte desta valorização aconteceu em zonas que, até há poucos anos, eram vistas como alternativas mais acessíveis. À medida que os centros urbanos ficaram mais caros, a procura foi-se deslocando "para municípios relativamente mais acessíveis" nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

No Algarve, a história é um pouco diferente. Continua a ser uma das regiões mais caras do país, mas as subidas foram mais suaves. Segundo o estudo, os municípios algarvios "que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional ― muito influenciados pela procura por não residentes", tiveram aumentos menos intensos do que outras zonas do território.

Apesar de tudo isto, o sentimento geral em relação ao mercado imobiliário continua surpreendentemente otimista. O Banco de Portugal refere que as expectativas dos consumidores quanto à evolução dos preços da habitação nos próximos 12 meses "evidenciam uma evolução crescente e níveis persistentemente superiores aos da área do euro".

Entre janeiro e março de 2026, os portugueses esperavam uma subida média de 7% nos preços das casas, enquanto na área do euro a previsão ficava pelos 3,7%. O estudo acrescenta ainda que existe em Portugal "uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento" e à aplicação das poupanças no setor da habitação.

As expectativas, no entanto, não são iguais para todos. O Banco de Portugal identifica uma "elevada heterogeneidade nas expectativas dos consumidores nacionais": os jovens entre os 18 e os 34 anos antecipam uma subida média de 4%, enquanto os consumidores entre os 55 e os 70 anos apontam para 6,3%.

"Esta diferença poderá estar associada ao facto de as gerações mais velhas, com um historial mais longo de observação dos preços e dos ciclos económicos no mercado imobiliário, tenderem a ancorar as suas expectativas em fenómenos inflacionários já vividos", explica.

Por regiões, o Norte e a Área Metropolitana de Lisboa continuam a ser onde se espera mais valorização, com previsões de 6,8% e 6,6%, respetivamente. Já o Alentejo e o Algarve apresentam uma leitura mais moderada, ambos nos 3,7%.

Outro ponto interessante é a forma como a compra de casa continua a ser financiada. Apesar da subida dos preços, o crédito bancário mantém-se abaixo dos 60% nas transações mais recentes, com o restante a ser suportado por capitais próprios.

Ainda assim, o crédito à habitação ganhou novo fôlego desde o início de 2024, numa tendência associada à descida das taxas de juro e também ao "regime da garantia do Estado" criado para apoiar jovens compradores.

No final, os investigadores deixam também um alerta: ainda falta muita informação para se perceber verdadeiramente o mercado habitacional português. Consideram as estatísticas atuais "insuficientes" para avaliar "as quantidades procuradas e oferecidas para cada preço", a "evolução das preferências das famílias", a "estrutura de custos associada à construção de habitação" e as "condições de concorrência no setor".

Coolhunting

Chegou a Portugal uma das marcas espanholas mais desejadas entre noivas e convidadas

Uma marca muito usada por noivas chegou a Portugal por tempo limitado e já escolhemos as melhores peças.

Evasão