Sonesta One Jacó Resort and Beach Club
Sonesta One Jacó Resort and Beach Club
Design e Artes

13 andares e várias casas. O que seria deste prédio se fosse habitado?

O que poderia ser hoje um empreendimento de luxo, ficou pelo caminho e ao abandono. Afinal, o que aconteceu a este projeto na Costa Rica?

Abandonado, o que poderia ter sido o Sonesta One Jacó Resort and Beach Club?

Nesta linha de comboio abandonada podes fazer railbike

Em várias partes do mundo existem edifícios que nunca chegaram a ser aquilo para o qual foram concebidos. São projetos ambiciosos que nasceram em períodos de grande optimismo económico, mas que acabaram por ficar pelo caminho devido a dificuldades financeiras, disputas judiciais ou mudanças repentinas nas condições de mercado. E um dos exemplos mais impressionantes encontra-se na Costa Rica.

À primeira vista, parece apenas mais um edifício abandonado junto ao mar, mas a história do chamado Sonesta One Jacó Resort and Beach Club revela um dos maiores fracassos imobiliários da história recente do país.

Localizado em Jacó, uma das mais conhecidas estâncias balneares da costa do Pacífico costa-riquenho, o edifício de 13 andares continua a dominar a paisagem. Apesar de estar abandonado há mais de 15 anos, continua a ser uma das construções mais facilmente identificáveis da região.

O projeto foi desenvolvido pela empresa Riverside Developers, liderada por Joshua Ten Brink, e representava um investimento avaliado em cerca de 70 milhões de dólares (cerca de 60 milhões de euros à taxa de câmbio atual). A proposta era criar um complexo turístico e residencial de luxo, composto por aproximadamente 200 apartamentos de luxo com vista para o oceano, associados à marca hoteleira Sonesta. O empreendimento incluiria piscinas, spa, restaurantes, áreas de lazer e acesso direto à praia.

Em pleno auge do mercado imobiliário internacional, a iniciativa parecia destinada ao sucesso. Em 2008, segundo informações divulgadas por investidores e promotores, a obra encontrava-se cerca de 80% concluída e grande parte das unidades já tinha sido vendida, sobretudo a compradores estrangeiros. Alguns apartamentos estavam inclusivamente mobilados e preparados para receber os futuros proprietários. Alguns desses móveis ainda podem ser observados através das janelas do edifício, alimentando a sensação de que tudo foi abandonado de forma súbita.

O que correu mal?

O colapso do projeto coincidiu com a crise financeira global de 2008, que atingiu fortemente o sector imobiliário internacional. No entanto, a crise económica foi apenas uma parte do problema.

O financiamento principal do empreendimento provinha do Banco Centro-Americano de Integração Económica (BCIE), e em 2009 surgiram divergências entre a instituição financeira e os promotores do projeto. O banco acusou os responsáveis pelo empreendimento de incumprimento contratual, enquanto os promotores alegaram que as condições do financiamento foram alteradas de forma prejudicial ao projecto.

A disputa acabou nos tribunais e arrastou-se durante anos. Sem financiamento suficiente para concluir a obra, os trabalhos foram suspensos por volta de 2010. Desde então, o complexo nunca mais foi retomado.

O mais curioso desta história é que o Sonesta One Jacó encontrava-se muito próximo da conclusão e alguns compradores já tinham fechado negócio, equipado os apartamentos e preparado a mudança. Contudo, sem infra-estruturas concluídas, os edifícios nunca puderam entrar em funcionamento. Problemas relacionados com elevadores, fornecimento de água, eletricidade e serviços comuns impediram qualquer utilização normal das unidades.

Ao longo dos anos, a exposição constante ao ambiente marítimo acelerou a degradação da estrutura. O sal transportado pelo vento provocou corrosão em diversos elementos metálicos, levantando dúvidas sobre os custos e a viabilidade de uma eventual recuperação. Especialistas e observadores locais referem frequentemente que uma reabilitação completa poderia revelar-se mais cara do que uma demolição e reconstrução.

Afinal, o que seria este edifício se estivesse habitado?

Se o projeto tivesse sido concluído, hoje os 13 andares seriam ocupados por centenas de residentes temporários e turistas de elevado poder de compra. O complexo funcionaria como um resort de luxo, combinando apartamentos privados com serviços típicos de hotel de cinco estrelas. A localização privilegiada, junto à praia e próxima de restaurantes, comércio e actividades turísticas, tornava-o particularmente atrativo para investidores norte-americanos e canadianos.

Muitos analistas acreditam que a conclusão do Sonesta One Jacó teria contribuído para acelerar ainda mais o desenvolvimento económico da região, atraindo novos investimentos, aumentando a procura imobiliária e reforçando o posicionamento de Jacó como destino turístico internacional.

Atualmente, o edifício permanece encerrado e vigiado por segurança privada. Cercas e sistemas de vigilância impedem o acesso ao interior, embora o local continue a despertar a curiosidade de turistas e fotógrafos.

Ao longo dos anos surgiram rumores sobre possíveis compradores e potenciais projectos de recuperação, mas nenhuma proposta avançou de forma concreta. O tempo continua a passar e a estrutura permanece imóvel, como um enorme lembrete dos riscos associados aos grandes projectos imobiliários.

 

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Cláudia Pinto, a diretora de comunicação da APICCAPS, assina este artigo.

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