O hantavírus está a preocupar o mundo | Fotografia: Getty, Bettmann
O hantavírus está a preocupar o mundo | Fotografia: Getty, Bettmann
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Hantavírus pode ser a próxima Covid-19? Médico responde ao que todos querem saber

Um surto de hantavírus num navio de cruzeiro está a preocupar o mundo e muitas pessoas já estão a comparar a situação ao início da pandemia de Covid-19. Será caso para tanto? Luís Rocha, um pneumologista da Sociedade Portuguesa Pneumologia, assina este artigo e esclarece as dúvidas.

O desconhecimento da existência do hantavírus pelo público em geral trouxe o alarme social de uma nova pandemia. É um vírus RNA da família hantaviridae, com mais de 50 espécies que estão amplamente distribuídos pelo mundo e são do conhecimento da comunidade médica.

Existem em duas zonas geográficas no globo, nas Américas e na Eurásia, onde as principais manifestações de doença provocadas são pela inalação de aerossóis de vestígios de fezes, urina ou saliva de roedores, o reservatório do vírus.

DR.º Luís Rocha | Fotografia: CUF

Na primeira zona predomina a síndrome cardiopulmonar devido ao comprometimento respiratório e cardíaco e com uma mortalidade de cerca de 38%. Na segunda predomina a febre hemorrágica com uma síndroma renal, afetando principalmente os rins e com uma mortalidade menor na ordem dos 15%.

No Cruzeiro MV Hondius, onde esta doença se manifestou, foi identificada uma variante (Andes), a que se transmite entre humanos. Contudo, não estamos perante um cenário idêntico ao da Covid-19. Estima-se que serão mais de 20.000 casos em todo o mundo por ano de um vírus já conhecido, ao contrário do SARS-CoV-2 que era um vírus completamente novo.

Já são conhecidos surtos localizados no tempo, em determinadas regiões e a sua transmissão entre humanos pode acontecer, mas em condições muito particulares, ou seja, com um contacto muito próximo com uma carga viral muito elevada nas vias respiratórias.

É necessário o estudo epidemiológico para perceber o que aconteceu. Fazer a sequenciação genómica do vírus e, desse modo, afirmar que as pessoas infetadas tenham sido expostas à mesma fonte de contágio e assim perceber qual foi o ponto de partida.

Existe o receio que este vírus Andes que tem um maior potencial de transmissão pessoa a pessoa sofra alterações e comece a aparecer em outros locais do globo e, para isso, as diferentes autoridades de saúde acompanham e monitorizam todos os que estiveram presentes neste cruzeiro.

A Organização Mundial de Saúde assume que o hantavírus é de baixo risco para a população em geral, sem qualquer paralelismo com a última pandemia.

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